Mahmoud Ilean/AP
Mahmoud Ilean/AP

Três palestinos morrem em confrontos por limitação de acesso à Cidade Velha de Jerusalém

Após a polícia israelense decidir instalar detectores de metal na entrada do local santo para os muçulmanos, agora também barra a entrada de homens com menos de 50 anos

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2017 | 04h03
Atualizado 21 Julho 2017 | 15h09

JERUSALÉM - A polícia israelense proibiu nesta sexta-feira, 21, que homens com menos de 50 anos entrem na Cidade Antiga de Jerusalém e na Esplanada das Mesquitas, impedindo que participem da oração muçulmana. "A entrada na Cidade Velha e ao Monte do Templo (Esplanada das Mesquitas para os muçulmanos) fica limitada aos homens de 50 anos, ou mais, e às mulheres de qualquer idade", anunciou a polícia em um comunicado.

Ao menos três palestinos foram mortos durante confrontos na Cisjordânia e em Jerusalém entre a polícia israelense e manifestantes, que protestam contra as novas medidas de segurança para entrar na Esplanada das Mesquitas, indicou o Ministério de Saúde palestino.

"Um palestino morreu por disparos no coração", disse o Ministério, acrescentando que o incidente ocorreu em Abu Dis, na Cisjordânia. Pouco antes, ele também anunciou a morte de outras duas pessoas em circunstâncias similares, uma no bairro de Ras al Amud, próximo à Cidade Velha de Jerusalém, e outra em A-Tur, no lado leste. 

A Esplanada das Mesquitas, onde estão o Domo da Rocha e a Mesquita de Al-Aqsa, fica na Cidade Antiga de Jerusalém, setor palestino da cidade santa. Sua anexação por parte de Israel nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.

Desde domingo, os palestinos denunciam a instalação de detectores de metal nas entradas do lugar santo, decidida pelo governo de Israel depois do ataque contra policiais israelenses no dia 14 de julho, perto do local. A medida reacendeu o temor dos palestinos de que o país tome o controle exclusivo do terceiro lugar santo do Islã, que também é venerado pelos judeus, chamado Monte do Templo. Os palestinos decidiram, então, não ir à Esplanada e fazer suas orações na Cidade Antiga.

Nesta semana, houve confrontos quase diários com a polícia israelense. Nos últimos dias, a imprensa local informou que o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, cogitava a possibilidade de retirar os detectores para evitar incidentes. Após consultar as forças de segurança e seu gabinete, ele decidiu manter o procedimento.

O gabinete de segurança "deu à polícia autoridade para tomar as decisões necessárias para permitir o livre acesso aos lugares santos, garantindo, ao mesmo tempo, a segurança e a ordem pública", declarou uma autoridade israelense.

Segurança

A polícia israelense disse que reforçou seus efetivos na Cidade Antiga com unidades "mobilizadas em todos os setores e bairros". Na quinta-feira, o Exército garantiu o envio de cinco batalhões extras à Cisjordânia ocupada para conter possíveis distúrbios.

Em Jerusalém Oriental, Israel controla os acessos à Esplanada das Mesquitas, local que há décadas cristaliza as tensões entre israelenses e palestinos. A Jordânia é responsável pela gestão do local. / AFP e AP

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