Israel proíbe que partidos árabes concorram nas eleições

Israel proibiu hoje os partidos políticos árabes de concorrerem nas eleições parlamentares gerais que ocorrerão em fevereiro, o que levou a acusações de racismo feitas por parlamentares árabes israelenses. Um dos parlamentares disse que tentará derrubar a proibição na Suprema Corte de Israel. A proibição, emitida pelo Comitê Eleitoral Central, reflete o aumento das tensões entre a maioria judaica da população de Israel e a minoria árabe israelense, por causa da ofensiva de Israel contra o grupo islâmico Hamas na Faixa de Gaza. Os árabes israelenses fizeram várias manifestações contra a ofensiva.O porta-voz do Knesset (Parlamento de Israel), Giora Pordes, disse que o Comitê aprovou por unanimidade a moção, ao acusar os partidos árabes de incitarem à violência, apoiarem grupos terroristas e se recusarem a reconhecer o direito do Estado de Israel existir. O Comitê é composto por 37 integrantes dos maiores partidos políticos de Israel. A moção foi apresentada por dois partidos ultra nacionalistas judaicos.A decisão não afeta políticos árabes israelenses que fazem parte do Knesset e se candidatam por partidos judaicos ou pelo Partido Comunista de Israel, que tem uma lista mista de candidatos árabes israelenses e judeus. Cerca de um quinto dos 7 milhões de cidadãos israelenses são árabes.Dois parlamentares árabes israelenses, Ahmed Tibi e Jamal Zahalka, que participam de blocos políticos no Parlamento, condenaram a moção. "Foi uma perseguição política liderada por um grupo de fascistas e racistas que querem que o Knesset não tenha parlamentares árabes e querem o país sem árabes", disse Tibi.Juntos, os deputados árabes ocupam atualmente sete das 120 cadeiras no Knesset. Tibi disse que apelará contra a moção na Suprema Corte de Israel. Pordes, porta-voz do Knesset, disse que o último partido a ser banido em Israel foi o Partido Kach, formado por judeus ultra radicais. Banido na década de 1980, o Kach pregava a expulsão de todos os árabes israelenses.

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