Israel proíbe viagens de palestinos na Cisjordânia

Israel anunciou ontem a proibição total do deslocamento de palestinos por carro no norte da Cisjordânia e no sul da Faixa de Gaza, como resposta aos atentados que mataram 13 pessoas (11 israelenses e 2 estrangeiros) em uma série de ataques entre domingo e ontem de madrugada. Os palestinos não poderão dirigir entre as cidades de Nablus, Jenin, Qalqiliya, Tulkarem e Ramallah. Alguma movimentação será permitida no sul da Cisjordânia, incluindo as cidades de Hebron, Belém e Jericó. Na Faixa de Gaza, 25 tanques tomaram posição na estrada que corta o território de norte a sul, e isolaram a região de Rafah e o campo de refugiados adjacente. Para ir ao trabalho ou a escolas, os palestinos costumam usar estradas e caminhos vicinais, nos quais os bloqueios também serão reforçados. Os militares disseram que haverá exceções nos "casos humanitários". Com isso, o Exército amplia as restrições de movimento da população nos territórios ocupados. Desde o fim de junho, sete das oito principais cidades palestinas na Cisjordânia estão sob toque de recolher, normalmente só levantado por poucas horas em alguns dias da semana para permitir o reabastecimento. A medida afeta mais de 800 mil pessoas. Na semana passada, o Exército retomou as demolições de casas das famílias de atacantes suicidas e determinou a expulsão de parentes deles da Cisjordânia para a Faixa de Gaza (esta última medida terá de ter o aval da Suprema Corte). "Ninguém entra e ninguém sai. Não há movimento entre cidades e vilas", afirmou o ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben Eliezer, antecipando que haverá ainda mais restrições militares nos territórios e estão sendo planejadas operações para "manter um bloqueio maior ao que estamos executando agora". O objetivo é impedir a entrada de extremistas palestinos em Israel. Segundo Ben-Eliezer, as forças de segurança frustraram 90% dos atentados suicidas, tendo interceptado quase 140 atacantes. Ele não especificou o período de tempo em que isso ocorreu. Ben Eliezer se reuniu em Jerusalém com o novo ministro do Interior palestino, Abdel Razek al-Yehya, e Mohammed Dahlan, assessor de segurança do presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, para conversas sobre planos de retirada israelense de áreas autônomas palestinas. O anúncio da imposição de mais restrições aos palestinos coincidiu também com a estada do chanceler de Israel, Shimon Peres, no Cairo, onde se reuniu com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, para discutir a crise. Mubarak convidou o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e o líder palestino, Yasser Arafat, para conversações de paz no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh. Nas últimas semanas, Peres reuniu-se com ministros palestino para discutir segurança e medidas para reduzir as dificuldades econômicas da população dos territórios ocupados. O porta-voz de Sharon, Raanan Gissin, reiterou ontem que propostas de conversação envolvendo Sharon não estão sendo consideradas. Diante da nova onda de atentados, Sharon está sendo pressionado pela direita a tomar medidas mais duras, mas, ao mesmo tempo, perde a cada dia apoio político por não ter conseguido deter a violência. "Sharon nos deve uma resposta" - esse era um título ontem do diário israelense Maariv, na edição reportando os ataques de domingo. "Ariel Sharon, o homem que nos fez falsas promessas durante sua campanha eleitoral para restabelecer a segurança em nossos lugares, nossas ruas, nossas áreas de lazer, nossos ônibus (...) Ele não dá explicações ao público", escreveu o redator-chefe, Amnon Dankner. O diário Yediot Ahoronot destacou que "depois de dois anos de ódio e horror, os israelenses estão cansados de morte e sofrimento".

Agencia Estado,

06 Agosto 2002 | 06h46

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