Israel promove sua maior operação em Gaza em 16 meses

As forças israelenses invadiram nesta quarta-feira três cidades palestinas e um campo de refugiados, na mais extensa operação militar na Faixa de Gaza nos últimos 16 meses, em represália pelo disparo de foguetes palestinos contra assentamentos judaicos. As incursões israelenses provocaram choques armados e a morte de quatro policiais e um civil palestinos.Os tanques israelenses saíram das cidades de Deir al-Balah e Beit Lahiya e do campo de refugiados Jebalya poucas horas depois da incursão. O ministro israelense Ephraim Sneh disse que os soldados permaneceriam em Gaza por vários dias, até que as fábricas de foguetes palestinas fossem encontradas, mas pouco depois do anúncio as tropas de Israel também deixaram a cidade de Beit Hanoun. Pelo menos 27 supostos militantes islâmicos foram detidos.O Exército de Israel impediu o acesso de jornalistas estrangeiros e diplomatas à Faixa de Gaza pouco depois das incursões israelenses. Segundo testemunhas, os soldados obstruíram a passagem fronteiriça de Erez, impedindo a passagem de dezenas de correspondentes e de diplomatas que haviam sido convidados pela Autoridade Palestina (AP) para observar a destruição causada por aviões de combate de Israel.FoguetesAs incursões israelenses desta quarta-feira foram em resposta ao disparo de dois foguetes de fabricação caseira pelo grupo islâmico Hamas contra assentamentos judaicos no sul de Israel no domingo. Os foguetes, chamados Qassam-2, caíram em campo aberto e não causaram danos.Entretanto, Israel teme que os foguetes (que podem atingir alvos cinco a oito quilômetros de distância) atinjam centros populacionais israelenses.O chanceler britânico, Jack Straw, em visita ao Oriente Médio, evitou criticar as incursões israelenses, mas disse lamentar as mortes na região. Straw, que se reuniu com as autoridades israelenses antes de encontrar-se com líderespalestinos, disse que o presidente da AP, Yasser Arafat, deve reprimir o terrorismo como um primeiro passo para o fim da violência.Ele recusou-se, entretanto, a apoiar um boicote aArafat, como pediu o governo do primeiro-ministro Ariel Sharon. "Reconhecemos o presidente Arafat como o líder da Autoridade Palestina e é nessa posição que vou conversar com ele na noite de hoje", adiantou Straw.HamasO líder do Hamas, Mahmoud Zahar, ameaçou com retaliações pelas incursões desta quarta-feira. Uma ala do Hamas assumiu a autoria do atentado de domingo contra um restaurante de Beersheba, cerca de 30 quilômetros a leste da Faixa de Gaza. No ataque duas soldados israelenses foram mortas a tiros.Muad Said, um integrista do Hamas, acusado de ter planejado em 1997 dois atentados suicidas no centro de Jerusalém que deixaram 21 israelenses e cinco terroristas palestinos mortos, foi condenado por um tribunal militar a 26 prisões perpétuas.

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