Israel propõe comissão para apurar ataque a frota humanitária

Visita do principal diplomata árabe à Faixa de Gaza sinaliza diminuição do isolamento diplomático vivido pelos palestinos após tomada do Hamas

AP,

13 de junho de 2010 | 20h10

O governo de Israel propôs uma comissão de inquérito para investigar o ataque realizado há duas semanas por seus soldados a uma frota de ajuda humanitária que estava indo em direção a Gaza. A comissão deverá ser dirigida por um juiz israelense aposentado e pode incluir dois observadores internacionais.

 

Em nota, o governo diz que a proposta de uma comissão pública independente será levada até o gabinete israelense para aprovação nesta segunda-feira, 14. A chefia da comissão deverá ser de Yaakov Turkel, um juiz da Suprema Corte Israelense que está aposentado. Os dois observadores internacionais serão Lord William David Trimbe da Irlanda e o laureado com o Prêmio Nobel da Paz, Brigadeiro General Ken Watkin, também aposentado.

 

Israel tem sido alvo de fortes críticas pelo ataque cometido no dia 30 de maio à frota que ia em direção a Gaza, no qual nove ativistas foram mortos.

 

Visita

 

O principal diplomata árabe em todo o mundo declarou apoio neste domingo, 13, às pessoas afetadas pelo bloqueio de Gaza em sua primeira visita ao território palestino desde a violenta tomada de posse do território pelo Hamas há três anos.

 

A visita é o mais recente sinal de que o ataque de Israel a uma frota humanitária que tentava furar o bloqueio de Gaza diminuiu o isolamento diplomático do grupo militante islâmico.

 

Enquanto isso, Israel parece estar cada vez mais isolado com as consequências do ataque - o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, cancelou abruptamente sua visita agendada para este domingo a Paris.

 

O motivo alegado pelo gabinete do ministro para o cancelamento foi a formação do comitê que investigará o ataque à frota. O comunicado negou que a decisão tenha qualquer conexão às pressões por grupos pró-Palestina pela sua prisão.

 

A administração de Obama e as Nações Unidas querem que Israel chame observadores internacionais para integrar a investigação, enquanto Turquia e outros países clamam por uma investigação sem o envolvimento de Israel.

 

A embaixadora norte-americana para as Nações Unidas, Susan Rice, disse à emissora Fox News no domingo que enquanto os Estados Unidos acreditarem que Israel pode conduzir uma investigação "crível e imparcial", um "componente internacional" daria suporte à sua "credibilidade aos olhos da comunidade internacional".

 

Oficiais da Defesa israelense disseram que Barak cancelou sua viagem a Paris para evitar atenções extras que a visita atrairia. Particularmente aos pesados questionamentos que ele enfrentaria da mídia assim como os arranjos para a segurança que a sua visita demandaria. Os oficiais pediram anonimato uma vez que estão proibidos de tratarem desse assunto com a mídia.

 

Ativistas tentaram prender Barak e outros oficiais israelenses sem sucesso anteriormente na Europa, sob o princípio da jurisdição internacional.

 

Além disso, diversos educadores turcos e oficiais organizaram uma conferência internacional sobre o Holocausto em protesto ao ataque, disseram os organizadores. O ataque, que resultou na morte de nove ativistas turcos, prejudicou severamente as alianças militares entre Turquia e Israel.

 

A visita do chefe da Liga Árabe, Amr Moussa, à Faixa de Gaza faz parte de uma pressão internacional para o fim do bloqueio de três anos que ganhou novo foco após o ataque de Israel. "A barreira precisa ser levantada", disse a Moussa. "Todo o mundo está agora dando suporte à Palestina e ao povo de Gaza."

 

As informações são da Associated Press.

Tudo o que sabemos sobre:
IsraelPalestinaataquefrotadiplomacia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.