Israel propôs troca de terras com palestinos, diz jornal

O ex-primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ofereceu uma porção do território israelense perto da Faixa de Gaza e da Cisjordânia em troca de blocos de assentamento na Cisjordânia, segundo reportagem do jornal "Haaretz" publicada hoje. Trata-se do mais detalhado relato sobre a proposta de paz do ex-líder israelense para os palestinos.

AE-AP, Agencia Estado

17 de dezembro de 2009 | 17h56

Os palestinos não responderam à proposta, feita em setembro de 2008, apresentada num período no qual a habilidade de Olmert de negociar um acordo de paz estava comprometida por acusações de corrupção que, por fim, o obrigaram a deixar o cargo. As conversações foram interrompidas depois da guerra de Israel contra militantes da Faixa de Gaza um ano atrás e nunca foram retomadas.

Desde que deixou o governo em março, Olmert disse que ofereceu aos palestinos concessões sem precedentes, dentre elas uma ampla retirada de quase toda a Cisjordânia e o controle compartilhado de Jerusalém. Olmert também disse que ofereceu aos palestinos pequenas áreas do território israelense em troca da manutenção de assentamentos judaicos na Cisjordânia.

No total, Olmert propôs ceder território israelense equivalente a 5,8% da Cisjordânia por um pedaço ligeiramente maior da Cisjordânia onde 75% dos 300 mil colonos judeus vivem. Os demais colonos seriam retirados de acordo com a proposta.

Em meio ao território israelense que ele ofereceu está uma área de quase 100 quilômetros quadrados perto da Faixa de Gaza e quase 227 quilômetros quadrados perto da Cisjordânia, a maior parte no Deserto da Judeia, localizado perto do sul da Cisjordânia, informou o jornal, citando fontes não identificadas próximas às propostas de Olmert.

Negociações

Hoje, os palestinos exigem que Netanyahu retome as negociações de onde elas pararam sob o governo de Olmert. Os linhas-duras israelenses, por sua vez, dizem que o fracasso palestino em aceitar a oferta de Olmert prova que eles não levam a possibilidade de paz a sério.

Sob pressão dos Estados Unidos, Netanyahu impôs uma moratória de dez meses na construção de assentamentos, medida que tem como objetivo persuadir os palestinos a voltar a negociar.

Mas os palestinos dizem que não retomarão as conversações até que haja uma total paralisação das construções, incluindo as realizadas em Jerusalém oriental, que os palestinos querem que seja a capital de seu futuro Estado.

Israel tomou a Cisjordânia e Jerusalém oriental na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Netanyahu se opõe a qualquer retirada israelense de Jerusalém oriental.

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