Israel prorroga por 24h cessar-fogo com Hamas

Pouco tempo após término do prazo inicial, Israel disse que foram disparados 3 foguetes contra o país, Hamas diz que atirou 'dezenas'

AGÊNCIA ESTADO, REUTERS, EFE e AFP

26 Julho 2014 | 18h36

CIDADE DE GAZA - O governo de Israel informou na noite deste sábado, 26, que prorrogou por mais 24 horas um cessar-fogo humanitário com o Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Uma autoridade do gabinete de ministros disse que a trégua durará até às 24 horas de domingo (horário local), mas que as tropas israelenses vão responde a qualquer possível ataque. Além disso, os túneis secretos usados pelo Hamas em Gaza continuarão sendo destruídos.

Mais cedo, o Hamas disse que não aceitava a prorrogação da trégua iniciada na manhã de sábado e às 20h05 voltou a lançar foguetes contra o território israelense. Os ataques, porém, não deixaram nenhuma vítima. “Nenhuma trégua é válida sem a retirada dos tanques israelenses. Os moradores de Gaza devem poder voltar para casa e ambulâncias devem circular livremente pelo território”, informou em nota o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum, que também rechaçou ampliar a trégua até a noite de domingo.

Trégua. Milhares de moradores de Gaza aproveitaram no sábado a trégua de 12 horas respeitada por Israel e pelo Hamas para estocar comida e revirar os escombros deixados pelos bombardeios israelenses. Segundo fontes médicas, cerca de 150 corpos foram encontrados em meio aos destroços, o que aumentou para 1.047 o número de palestinos mortos em 19 dias de combates - 6 mil ficaram feridos. Os refugiados, segundo a ONU, passam de 160 mil.

No sábado, o Exército de Israel confirmou a morte de outros cinco soldados - três antes do cessar-fogo e dois que estavam em hospitais -, aumentando para 42 o número de militares mortos no conflito - além deles, três civis morreram vítimas de foguetes disparados da Faixa de Gaza. De acordo com o comando do Exército, 138 soldados ficaram feridos e estão espalhados em hospitais de Israel - três estão em estado crítico.

O número de baixas entre os militares israelenses deixa o conflito cada vez mais com cara de uma guerra aberta. Em 2009, a operação Chumbo Fundido durou 23 dias e terminou com 13 israelenses mortos, enquanto a operação Pilar de Defesa, de 2012, durou oito dias e deixou apenas 2 soldados israelenses mortos. A guerra contra o Hezbollah, em 2006, sua maior ação militar no Líbano desde a invasão de 1982, matou 121 israelenses.

Com o cessar-fogo deste sábado, palestinos voltaram para casa e viram os estragos dos bombardeios em Gaza. Muitos escalaram montanhas de escombros de concreto, tentando recuperar objetos perdidos.

Pela primeira vez em 19 dias, equipes de resgate tiveram acesso a determinadas zonas da cidade e encontraram um cenário desolador: casas em ruínas, corpos enegrecidos em decomposição e poças de sangue com marcas de tanques israelenses. Após 12 horas de trégua, cerca de 150 cadáveres foram retirados da destruição, segundo um porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza. Em Beit Hanoun, jornalistas encontraram o corpo de um socorrista da Cruz Vermelha em um hospital atacado por Israel.

Apelos. Em Paris, os chanceleres de França, Alemanha, Itália, Catar, Turquia, Grã-Bretanha e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediram na tarde de sábado que o cessar-fogo na Faixa de Gaza fosse estendido por “24 horas, renováveis, para estimular uma espécie de autodisciplina”. “Estamos esperançosos de que isso possa ocorrer”, afirmou Kerry.

Uma fonte do governo israelense, que pediu para não ser identificada, afirmou que o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu estaria disposto a estender a trégua com o Hamas. “Nossa guerra não é contra a população”, disse o funcionário à agência Reuters.

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