Israel protesta contra decisão belga envolvendo Sharon

O presidente israelense, Moshe Katsav, escreveu nesta quinta-feira uma carta contundente ao rei Alberto da Bélgica e a outros funcionários governamentais de Bruxelas, em resposta à decisão da Corte Suprema belga, de permitir que o primeiro-ministro Ariel Sharon e outros líderes israelenses sejam julgados por crimes de guerra após perderem a imunidade do cargo. O escritório de Sharon disse que a sentença é "uma provocação escandalosa"e o jornal Maariv a considerou "tortuosa e revoltante".A Corte Suprema belga desconsiderou, na quarta-feira, uma apelação de um grupo de palestinos para que Sharon fosse julgado pelo massacre em 1982 em dois acampamentos de refugiados palestinos, Sabra e Chatila, em território libanês. No entanto, o tribunal deixou em aberto a possibilidade de que Sharon seja processado quando abandonar o cargo e perder a imunidade diplomática. Além disso, o tribunal sentenciou que pode ser processado o ex-militar israelense Amos Yaron, denunciado pelos palestinos. Yaron, atual diretor-geral do ministério da Defesa israelense, disse que a Bélgica assumiu uma autoridade moral que não lhe diz respeito. "Quem disse aos belgas para julgarem as pessoas de outros países por coisas que ocorreram em terceiros países?", disse ele à rádio do Exército israelense. "É uma tentativa de criar um escândalo internacional". O escritório do presidente Katsav leu vários parágrafos da carta enviada pelo mandatário para o rei Alberto, indicando que os líderes e soldados do Estado judeu atuaram em concordância com as normas e o direito internacionais e a jurisprudência israelense."O presidente rejeita totalmente o direito moral da Bélgica de julgar os líderes israelenses e os comandantes do Exército de Israel", acrescentou.O ministro de Relações Exteriores, Benjamin Netanyahu, convocou na quinta-feira de manhã o embaixador belga Wilfred Geens ao seu escritório em Jerusalém. Netanyahu disse posteriormente, aos jornalistas, que fez um enérgico protesto perante Geens. A embaixada belga se negou a fazer comentários. O embaixador israelense em Bruxelas, Yehuda Kenar, foi chamado a Israel, onde chegará esta tarde. Sharon foi ministro da Defesa em 1982, quando centenas de civis palestinos nos acampamentos de Sabra e Chatila, no sul de Beirute, foram massacrados por uma milícia lilbanesa cristã, aliada dos israelenses. As forças do Estado judeu haviam entrado em território libanês vários meses antes para desalojar os guerrilheiros do líder palestino Yasser Arafat. Um investigação feita em Israel concluiu que Sharon foi indiretamente responsável pelo episódio, o que o obrigou a deixar o ministério da Defesa em 1983.

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