Israel quer 7,3% da Cisjordânia como acordo de paz

Negociadores israelenses disseram aos seus congêneres palestinos que querem anexar 7,3% da Cisjordânia, como parte de um acordo definitivo de paz, informaram hoje funcionários palestinos. Em troca, Israel cederia aos palestinos território próximo à Faixa de Gaza e abriria uma passagem para permitir aos palestinos viajarem entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Os funcionários próximos às negociações falaram sob anonimato porque as conversas deveriam ser secretas. Os funcionários palestinos disseram que concordam em princípio com uma troca de terras que permitiria a Israel anexar grandes assentamentos judaicos na Cisjordânia. De qualquer forma, eles dizem que não pretendem trocar mais que 1,8% da Cisjordânia. Nabil Abu Rdeneh, um assessor do presidente palestino Mahmoud Abbas, disse que não comentará a oferta israelense, mas disse que "a diferença entre as duas posições sobre a questão da fronteira ainda é enorme". O negociador palestino Saeb Erekat disse que o relatório da oferta israelense era "sem fundamento" e acusou Israel de preparar uma armadilha para parecer que os palestinos tivessem rejeitado um acordo generoso. "Nós esperamos que os israelenses continuem a negociar o acordo longe da mídia", disse Erekat. Mark Regev, porta-voz do governo de Israel, não quis comentar o relatório, mas disse que "um progresso importante" foi feito nos últimos meses, "incluída a questão das fronteiras finais". As propostas israelenses lembram ofertas feitas por Israel nas primeiras rodadas das negociações de 2000, quando o processo de paz degenerou em violência e na segunda revolta palestina, a Segunda Intifada. Hoje, os dois territórios palestinos são controlados por amargos rivais: o grupo islâmico Hamas governa a Faixa de Gaza, enquanto a Autoridade Nacional Palestina (ANP), do presidente Abbas, governa a Cisjordânia, com apoio ocidental. Segundo a oferta israelense, as trocas de terras irão adiante apenas quando Abbas retomar o controle de Gaza, informou hoje o diário israelense Haaretz. Isso parece cada vez mais distante porque o Hamas tem eliminado de maneira eficiente a oposição interna e está no firme controle da faixa costeira de 1,4 milhão de habitantes. As fronteiras finais entre os dois estados, Israel e Palestina, são apenas uma das três grandes questões que desafiam os negociadores. As duas partes precisam chegar a uma acordo sobre o destino dos refugiados palestinos que perderam suas casas quando o Estado de Israel foi estabelecido em 1948, e sobre o destino dos descendentes destes palestinos que precisaram fugir. A terceira questão, e a mais delicada, envolve o status futuro da cidade de Jerusalém, com a posse dos seus lugares santos reivindicadas por ambas as partes.

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