Israel quer Brasil fora de negociações de paz

A menos de três semanas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel e à Palestina, nos dias 14 e 15 de março, o Brasil recebeu uma mensagem direta para que não interfira nas negociações de paz entre os dois países e se una à comunidade internacional em favor de novas sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o Irã. Ambas as posições foram explicitadas pelo vice-diretor do Ministério de Relações Exteriores de Israel, embaixador Rafael Barak, ao Itamaraty e ao Palácio do Planalto na última segunda-feira.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

23 de fevereiro de 2010 | 20h02

O apelo de Jerusalém tem o objetivo de impedir que o ativismo do governo Lula no Oriente Médio venha a contribuir para o acirramento das turbulências na região. Em entrevista hoje, o embaixador Barak enfatizou que o governo israelense quer negociar um processo de paz com a Palestina sem intermediários.

Com o cuidado de enfatizar que o presidente Lula e seu governo podem contribuir com um clima mais favorável às negociações de paz, as mensagens de veto a uma atuação mais intrusiva do Brasil nesse processo foram reiteradas por Barak ao secretário-geral das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e ao embaixador Marcel Biato, da assessoria internacional da Presidência, na última segunda-feira.

"Nossa experiência é de manter uma negociação direta com a Palestina. Essa é uma negociação 1 para 1, sem mediações. Eu acredito fortemente nesse formato", afirmou Barak.

Sem nenhum meio de interferir na visita do presidente Lula ao Irã, em 15 de maio, Israel deixou em Brasília sua visão de que a atual posição do Brasil impede a unificação da mensagem da comunidade internacional em torno das sanções sobre interesses econômicos da Guarda Revolucionária Iraniana a Teerã.

"Nós conhecemos a boa intenção do Brasil. Mas, qual o resultado que colhemos até agora? O Irã está aumentando a instabilidade no Oriente Médio, apoiando o terrorismo e colocando em risco a efetividade do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)", afirmou Barak. "Não se trata de uma confrontação Israel-Irã, mas de uma confrontação entre o Irã e o mundo", completou.

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