Israel quer criar seu maior assentameto em território palestino

O governo de Israel planeja há algumas semanas a construção em Jerusalém Oriental do que seria o maior assentamento judaico em território palestino, informa nesta quarta-feira, 28, o jornal Ha´aretz.O assentamento, que teria cerca de 11 mil casas para famíliasultra-ortodoxas, deverá ser construído perto do muro de separaçãoisraelense, na altura do posto de controle de Kalandia, que separa o norte de Jerusalém da cidade de Ramala, na Cisjordânia.O região oriental de Jerusalém, também conhecida como Cidade Velha, é reduto das três maiores religiões monoteístas do mundo, sendo povoada tanto por judeus quanto muçulmanos, que representam 98% da população local, e, em minoria absoluta, por cristãos.A proposta de um novo assentamento entre Jerusalém e Ramala gerou críticas no campo israelense. "É uma verdadeira loucura colocar milhares de judeus ultra-ortodoxos no coração de uma zona árabe densamente povoada. Ninguém pode imaginar como viveriam ali. É como viver no meio de Ramala", reclamou o ex-vice-prefeito de Jerusalém Meron Benvenisti.O plano prevê ainda a escavação de um túnel ligando a nova colônia com a de Kokhav Yaakov, situada ao leste de Ramala e fora do traçado previsto do muro de separação israelense.O túnel permitiria aos habitantes de ambas as localidades evitaro muro e o contato com o povoado palestino de Kafr Aqab.O deputado Otniel Schneller, do partido do Governo Kadima,afirmou que o plano é desenvolvido pelo Ministério de Construção eHabitação, e que a Prefeitura de Jerusalém está "feliz com a idéia".No entanto, o ministro de Construção e Habitação, Meir Sheetrit,negou estar no comando do plano.AssentamentoSchneller disse depois que, efetivamente, "o ministro não temconsciência do plano", pois "apenas o distrito de Jerusalém doministério o conhecia", e que o projeto "está apenas na fase de´estudos de viabilidade´".No entanto, segundo o jornal, o plano foi apresentado em váriasocasiões a diversos órgãos governamentais, e pelo menos em uma delas esteve presente o diretor do Ministério da Habitação no distrito de Jerusalém, Moshe Merhavia.Schneller, que é a ligação entre os colonos e o primeiro-ministroisraelense, Ehud Olmert, confirmou também que ainda não falou com ele sobre o assunto. "Mas, pelo que sei da posição do governo, existe um interesse israelense em estabelecer um bairro" na área.Aparentemente, o bairro seria construído em terras públicas ouadquiridas há décadas pelo Fundo Nacional Judaico (JNF, sigla emInglês).A empresa de arquitetura que planeja o projeto negou-se a revelarqual órgão governamental foi responsável pela contratação da firma.O advogado Danny Zindman, da associação Ir Amim considera queeste plano levaria à "balcanização" de Jerusalém.

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