Israel quer enterrar corpos de palestinos mortos em Jenin

Tropas israelenses iniciaram hoje os preparativos para sepultar os militantes palestinos assassinados por elas mesmas no campo de refugiados de Jenin, no mais sangrento confronto desde que o Estado judeu iniciou a ofensiva nas terras palestinas, há duas semanas. A decisão provocou novas denúncias por parte dos palestinos de que as forças israelenses mataram centenas de civis e tentam agora ocultar os cadáveres.O porta-voz do exército de Israel, general de brigada Ron Kitrey, negou as acusações dos palestinos, mas informou que a retirada e o enterro dos cadáveres em Jenin começarão ainda hoje. Oficiais israelenses estimam que cerca de 100 palestinos morreram em Jenin, no norte da Cisjordânia, durante os oito dias de combates. Para os palestinos, no entanto, o saldo de assassinados é muito maior.Segundo Kitrey, Israel enterrará apenas os corpos dos militantes encontrados com armas em uma cemitério do Vale do Jordão. O militar não deu a exata localização do cemitério. Ele disse também que os cadáveres dos civis palestino serão entregues aos palestinos.Kitrey acusou os palestinos e a Crescente Vermelha de se recusarem a ajudar a recolher os cadáveres para intensificar "sua propaganda" de guerra. Entretanto, segundo Hussam Sharkawi, representante da Crescente Vermelha, Israel vem bloqueando seu grupo de entrar em Jenin para recolher os corpos. "Isto é parte da campanha de desinformação", afirmou.Também a Cruz Vermelha, através da porta-voz, Alexandra Matijevic, informou que Israel não permitiu que nenhum grupo entrasse no campo de refugiados de Jenin. O ministro do Gabinete palestino, Saeb Erekat, acusou os israelenses de tentar encobrir a morte de centenas de pessoas, a maioria delas civis. "Eles querem esconder seus crimes, os corpos de criancinhas e mulheres", disse.As forças de Israel irromperam na Cisjordânia em 29 de março, com o objetivo, segundo elas, de combater as redes de militantes responsáveis pelos atentados suicidas contra civis israelenses durante os últimos 18 meses. Apesar das exigências dos Estados Unidos para uma retirada imediata dos israelenses, o primeiro-ministro Ariel Sharon afirmou que operação continuará até que seja finalizada.

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