Israel reabre campo de detenção para alojar palestinos

Israel reabriu esta semana um campo de detenção no meio do deserto para abrigar alguns dos milhares de palestinos detidos durante uma ofensiva de 19 dias na Cisjordânia, disse hoje um militar israelense à Associated Press, confirmando denúncias de diversas organizações de defesa dos direitos humanos.Os primeiros 310 palestinos foram transferidos esta semana de uma prisão no norte de Israel para o campo de detenção de Ketziot, disse Lior Yavne, porta-voz do B´Tselem, um grupo israelense de defesa dos direitos humanos, citando oficiais do Exército.O Exército de Israel recusou-se a comentar a reabertura do campo de detenção de Ketziot, situado no árido Deserto de Negev, no sul do país, onde milhares de palestinos foram detidos durante a primeira intifada, entre 1987 e 1993.O campo foi fechado em 1996. Na época, eram mantidos 26 detentos por tenda. No verão, eles ficavam expostos a um calor insuportável, enquanto no inverno ficavam à mercê de temperaturas congelantes.Na segunda-feira, uma viagem até as proximidades de Ketziot revelou sinais de vida no local. Holofotes estavam ligados e soldados estavam posicionados em torres de vigilância. Caminhões civis e militares entravam e saíam do local enquanto bandeiras de Israel e da polícia militar tremulavam em meio ao vento quente do deserto.O campo de Ketziot é conhecido pelos palestinos como "Ansar III" para recordar a prisão de Ansar, utilizada por Israel durante sua ocupação militar do sul do Líbano. Um outro campo de detenção israelense na Faixa de Gaza é conhecido como "Ansar II".O campo de detenção no meio do deserto foi utilizado pela primeira vez para prender palestinos pouco após o início da primeira intifada, em dezembro de 1987. Durante os quase seis anos de conflito que se seguiram, Israel prendeu cerca de 14 mil pessoas sem conceder o direito ao julgamento, a maior parte de Ketziot, informou o B´Tselem.Uma ativista israelense pelos direitos humanos disse ser provável que a maioria dos detidos seja mantida na prisão por tempo indeterminado e sem julgamento, numa prática conhecida como "detenção administrativa" e introduzida originalmente quando a Grã-Bretanha mantinha seu protetorado na Palestina, antes da fundação de Israel, em 1948."Alguns já receberam ordens de prisão administrativa", comentou Hannah Friedman, diretora do Comitê Público Contra Tortura em Israel. "A maior parte dos demais detentos deverá ser mantida da mesma forma."Um porta-voz da Cruz Vermelha disse que a organização pediu para visitar os campos de detenção, mas ainda esperava pela análise das autoridades israelenses aos pedidos.Em sua atual ofensiva de 19 dias, Israel deteve 4.258 palestinos, inclusive supostos líderes da segunda intifada, informou o Exército. O último, capturado ontem em seu esconderijo em Ramallah, foi Marwan Barghouti, chefe de segurança da Autoridade Palestina na Cisjordânia.Israel acusa Barghouti de comandar as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, uma milícia ligada ao movimento político Fatah, liderado por Yasser Arafat. Os Mártires de Al-Aqsa assumiram a autoria de uma série de atentados contra o Estado judeu.Barghouti nunca admitiu ser líder da milícia armada, apesar de já ter declarado que considera soldados israelenses e colonos judeus na Cisjordânia e na Faixa de Gaza alvos legítimos de ataques. Ao mesmo tempo, Barghouti defende a existência de um Estado palestino estabelecido ao lado de Israel, reconhecendo a existência do Estado judeu. Barghouti foi interrogado nesta terça-feira em um complexo policial na cidade de Jerusalém.De acordo com o Exército, 387 dos milhares de palestinos detidos este mês eram supostos "terroristas" previamente identificados. As suspeitas contra os demais surgiram durante interrogatórios e outros 1.200 homens seriam mantidos sob custódia, informaram fontes ligadas aos serviços de segurança de Israel.Sob condição de anonimato, um oficial do Exército revelou que os detidos sobre os quais não pesavam suspeitas começaram a ser libertados. Entre outros influentes palestinos detidos estão Nasser Awais, líder regional dos Mártires de Al-Aqsa, Thabet Mardawi, líder da Jihad Islâmica no campo de refugiados de Jenin, e Bilal Barghouti, do movimento militante Hamas.Bilal Barghouti é acusado de envolvimento em atentados suicidas perpetrados em junho e agosto do ano passado contra uma casa noturna de Tel Aviv e contra uma pizzaria de Jerusalém, respectivamente.Fontes informaram que os principais suspeitos estavam sendo levados a uma prisão na região central de Israel, enquanto a maior parte dos outros detidos foi levada ao campo de detenção de Ofer, nos arredores de Ramallah, e centenas deles foram transferidos para Ketziot.

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