Israel reabre passagem para a Faixa de Gaza

Apesar da seqüência de ataques com foguetes do Hamas continuar, ajuda humanitária começa a chegar ao território

AP, EFE E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 00h00

O governo israelense reabriu ontem a fronteira do país com a Faixa de Gaza para permitir a entrega de ajuda humanitária ao território. A decisão foi tomada apesar de militantes palestinos continuarem lançando foguetes contra o sul de Israel e terem acertado, acidentalmente, uma casa em Gaza, matando duas crianças.Segundo especialistas, a entrega de ajuda pode aliviar as tensões na região, intensificadas após o fim da trégua do grupo islâmico Hamas com Israel na semana passada. No entanto, fontes ligadas aos militares afirmaram que o governo israelense aprovou uma incursão em Gaza assim que o tempo melhore.O Ministério da Defesa israelense decidiu na quinta-feira permitir a passagem de caminhões carregados de suprimentos para o território com o objetivo de evitar uma crise humanitária. De acordo com o ministro Ehud Barak, a medida foi implementada após consultas com especialistas em defesa e pedidos da comunidade internacional.Um total de 106 caminhões levou medicamentos, combustível, botijões de gás de cozinha e outros produtos de primeira necessidade para Gaza, segundo fontes militares. O bloqueio israelense à região foi imposto em junho de 2007, depois de o Hamas ter tomado o controle do território.O ministro do Interior, Binyamin Ben-Eliezer, afirmou que o povo de Gaza deveria interpretar a remessa humanitária como uma mensagem de que eles não são os inimigos de Israel. "Estamos enviando uma mensagem dizendo que o Hamas os transformou em um saco de pancadas", disse Ben-Eliezer. "É um comando que transformou pátios de escola em áreas de lançamento de foguete, é uma liderança que não se importa se o sangue de seu próprio povo vai escorrer pelas ruas."As declarações do ministro foram semelhantes às que o premiê Ehud Olmert deu um dia antes na TV de idioma árabe Al-Arabiya. Durante a transmissão, Olmert afirmou que os líderes do Hamas eram os culpados pelo sofrimento em Gaza e fez um apelo para que o povo palestino renuncie aos seus comandantes e pare com os ataques. O primeiro-ministro disse que não hesitará em usar o poder militar de Israel, caso os ataques não terminem.Ontem, um foguete lançado por palestinos contra Israel atingiu uma casa em Gaza matando duas irmãs de 5 e 12 anos. As meninas foram as primeiras palestinas civis a serem mortas após o fim da trégua do Hamas.

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