Israel recebe críticas por relaxar bloqueio a Gaza

O governo israelense concordou ontem em relaxar mais o bloqueio imposto pelo país na Faixa de Gaza, permitindo que mais materiais e bens sigam para o território palestino. No entanto, a decisão recebeu hoje críticas dos palestinos e dos próprios israelenses. Segundo os palestinos, as mudanças não vão longe o suficiente. Enquanto isso, alguns israelenses temem que elas possam fortalecer o Hamas, grupo islâmico que controla Gaza. Já os governos ocidentais, incluindo os Estados Unidos, elogiaram a decisão como um passo na direção correta.

AE, Agência Estado

21 de junho de 2010 | 12h03

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que controla apenas a Cisjordânia desde que o Hamas expulsou as forças dele de Gaza, em 2007, insistiu que Israel deve encerrar completamente o bloqueio de quatro anos. "O presidente Abbas exige o fim completo do cerco a Gaza", afirmou um porta-voz dele. "Apenas esses passos não são o suficiente e todos os esforços devem ser exercidos para reduzir o sofrimento das pessoas de Gaza."

Um porta-voz do Hamas também rechaçou a decisão israelense e pediu o fim "completo e genuíno de todas as formas de bloqueio". O funcionário insistiu que devem ser liberados todos os materiais, especialmente para a construção e a indústria.

Israel anunciou ontem que permitirá apenas a entrada de materiais "civis", mas restringirá itens "problemáticos", que podem ser usados também para construir foguetes, por exemplo. Israel não mencionou se pretende permitir que Gaza exporte produtos. A nova política é anunciada em meio a uma crescente pressão internacional, após, em 31 de maio, militares israelenses interceptarem uma flotilha que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Nove ativistas morreram nessa ação.

Controle do Hamas

O grupo israelense pelos direitos humanos Gisha insistiu que o governo deve permitir a passagem de mais itens para Gaza, e também a exportação, além de viagens por razões humanitárias ou para a reunião de famílias, por exemplo. O vice-ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai, deixou claro que se opõe a qualquer relaxamento do bloqueio. Segundo ele, isso irá "ajudar indiretamente o Hamas a fortalecer seu poder". "Tudo que entra em Gaza está sob controle do Hamas", completou.

Já o ministro do Meio Ambiente, Gilad Erdan, insistiu que o bloqueio não alcançou o efeito desejado para enfraquecer o Hamas. Ele afirmou que a medida também fracassou em apressar a libertação do soldado Gilad Shalit, capturado por militantes palestinos em 2006.

Ontem o Reino Unido elogiou a ação israelense para aliviar o bloqueio. A chefe da política externa da União Europeia (UE), Catherine Ashton, qualificou a medida como "uma melhora significativa". A Casa Branca previu que isso "deve melhorar a vida das pessoas de Gaza".

O anúncio, ontem, ocorre antes de uma visita planejada para 6 de julho do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quando ele deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Recentemente, Obama qualificou a situação em Gaza como "insustentável".

Até agora, Israel permitia apenas que suprimentos humanitários e alguns bens comerciais entrassem em Gaza. A maioria dos 1,5 milhão de habitantes desse território depende de ajuda internacional. Outros itens, incluindo armas, são contrabandeados por meio de túneis cavados na fronteira entre Gaza e o Egito.

Israel impôs o bloqueio em junho de 2006, após o soldado Gilad Shalit ser capturado por militantes. A medida foi endurecida no ano seguinte, quando o Hamas tomou o poder na Faixa de Gaza. As informações são da Dow Jones.

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