Israel rechaça proposta do G-8 sobre observadores

Israel rechaçou hoje um pedido dos chanceleres dos países mais industrializados do mundo - entre eles seus aliados norte-americanos - para que sejam enviados observadores ao Oriente Médio. O governo israelense alega que, antes disso, deve cessar a violência palestina. Os ministros de Relações Exteriores do Grupo dos Oito (G-8), reunidos na Itália, descreveram a situação como "alarmante" e disseram que a presença de supervisores poderia reforçar um plano elaborado por uma comissão chefiada pelo ex-senador norte-americano, George Mitchell, para colocar fim a quase 10 meses de violência.O G-8 é composto pelos membros do Grupo dos Sete (G-7 - Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália e Japão) mais a Rússia. O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, e seus colegas disseram respaldar o envio de observadores que sejam aprovados tanto por israelenses quanto por palestinos. "Todo o propósito do relatório Mitchell é a apresentação de um mapa que mostre o caminho das negociações", disse Powell. "Para iniciar esse trajeto, devemos por fim à violência."No entanto, Raanan Gissin, assessor do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse que o país se opõe à idéia de observadores, pelo menos até que toda a violência palestina seja contida. "Não aceitamos observadores nem supervisores pelo simples fato de que, quando havia observadores aqui, a trégua precisava ser respeitada. Infelizmente, devo dizer que a Autoridade Palestina não cumpriu a trégua", disse Gissin.Por sua vez, os palestinos expressaram ceticismo ante as declarações de Israel de que não serão invadidas áreas palestinas. Um dos lugar-tenentes de Yasser Arafat, Mahmoud Abbas, disse aos jornalistas que acredita possibilidade de uma incursão. Na manhã de hoje, funcionários dos serviços palestinos de segurança na cidade de Jenin, no norte da Cisjordânia, observaram 15 tanques e mais de 20 veículos blindados israelenses nos arredores da cidade.Mais de 10 tanques estavam em torno da cidade de Belém. Normalmente, os israelenses colocam dois ou três tanques e alguns soldados nos arredores de cada cidade. Ainda hoje, uma bomba explodiu na cidade costeira de Netanya, deixando dois feridos. De acordo com a polícia, aparentemente se tratava de um ato criminoso, mas não está excluída a hipótese de um atentado palestino. Netanya, a 15 quilômetros da Cisjordânia, é um freqüente cenário de ataques palestinos.

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