Abir SUltan/Efe
Abir SUltan/Efe

Israel recua e aceita retomar repasse de fundos aos palestinos

Governo alerta que se a AP insistir em integrar a ONU poderá voltar a perder a verba mensal

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h05

JERUSALÉM - Israel anunciou ontem que descongelará cerca de US$ 100 milhões mensais do repasse de impostos sobre mercadorias, para a Autoridade Palestina (AP). Há um mês, Israel suspendeu o repasse, em represália ao pedido de reconhecimento do Estado palestino como membro pleno da ONU e a aprovação da AP na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O descongelamento do dinheiro palestino - responsável por dois terços do montante que a AP dispõe para pagar seus funcionários nos territórios ocupados - ocorreu após uma dura pressão de EUA, ONU e Europa. A transferência mensal foi determinada pelos Acordos de Oslo, firmados entre 1993 e 1994.

O premiê da AP, Salam Fayyad, afirmou que não conseguiria pagar os cerca de 150 mil funcionários da entidade pelo serviço deste mês, caso os israelenses não retomassem o repasse.

O gabinete do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, declarou ontem que a liberação do dinheiro será normalizada, pois os palestinos parecem ter suspendido suas "manobras unilaterais" na ONU e nos organismos da entidade internacional. Declarou ainda que o congelamento poderá ser retomado caso os palestinos voltem a pedir sua integração nos órgãos.

Na terça-feira, porém, o presidente Mahmoud Abbas reafirmou que continua comprometido com o pedido de integração plena dos palestinos na ONU, afirmando que tal reconhecimento é um "direito legítimo". As declarações conflitantes podem levar a disputas futuras sobre transferências de fundos e outras áreas de cooperação entre palestinos e israelenses.

Israel também sugeriu que voltará a suspender o repasse caso a AP, que governa partes da Cisjordânia, firme algum acordo de reconciliação com a facção islâmica Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

As entidades romperam em 2007, quando o grupo radical islâmico expulsou o Fatah da região. / AP, AFP e REUTERS

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