Israel reforça estado de alerta após matar líder do Hamas

O governo Israel reforçou o estado de alerta neste sábado após atacar com mísseis e matar o líder do Hamas, Abdel Aziz Rantisi, quando ele dirigia seu carro na Cidade de Gaza. Dois guarda-costas também morreram no ataque e cinco pedestres ficaram feridos. Indignados, cerca de 2.000 palestinos saíram logo em seguida às ruas de Gaza e juraram vingança. O Hamas prometeu vingar a morte do líder e disse que não será detido na luta para destruir o Estado judeu. "Esse sangue não foi derramado em vão", disse Ismail Haniyeh, um líder do Hamas. "Nós não desistiremos".Em meio a um cenário caótico, uma multidão furiosa de palestinos cercou os restos do automóveis incendiado, desviando e retirando de dentro o que parecia ser restos de roupas. Uma multidão também tomou conta do hospital da cidade. Alguns palestinos gritavam, batiam seus punhos contra a parede, enquanto outros rezavam silenciosamente. Rantisi transformou-se em principal líder do Hamas no mês passado, quando Israel assassinou o xeque Ahmed Yassin, fundador do grupo, em um ataque aéreo que deixou outros sete mortos. "Planejador de terrorismo"Israel alega ter matado um "planejador de terrorismo" ao assassinar Rantisi e prometeu manter seus ataques contra líderes militantes. "Já que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) não levanta um dedo para combater o terrorismo, Israel continuará a fazer isso pessoalmente", disse o porta-voz da chancelaria israelense, Jonathan Peled. O ministro israelense Gideon Ezra alegou que o governo "não tem escolha a não ser dar seqüência a essa guerra onde e quando for necessário". O carro de Rantisi foi alvejado a um quarteirão de sua casa e foi totalmente destruído. Depois da explosão, helicópteros israelenses foram ouvidos sobrevoando a região. Rantisi foi levado a um hospital próximo em condições críticas de saúde. Ele foi levado à sala de cirurgia para uma intervenção emergencial, mas faleceu cinco minutos depois de dar entrada no hospital. A esposa de Rantisi também estava no veículo, mas suas condições de saúde são desconhecidas e não se sabe para onde ela foi levada, disseram fontes hospitalares e membros do Hamas.EUA e Grã-BretanhaO primeiro-ministro da ANP, Ahmed Qureia, declarou que o assassinato de Rantisi foi um resultado direto do encorajamento dos Estados Unidos. Um funcionário norte-americano, no entanto, desmentiu que Washington tenha dado sinal verde para o ataque. Esta semana, o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, visitou George W. Bush e recebeu dele o apoio para seu plano de uma separação unilateral dos palestinos.A Grã-Bretanha considerou ilegal o assassinato de Rantisi. "O governo britânico já deixou claro que considera ilegais, injustificados e contraproducentes os chamados ´assassinatos seletivos´", declarou o chanceler Jack Straw por meio de um comunicado.Em 10 de junho do ano passado, um helicóptero israelense disparou um míssil contra o carro de Rantisi, mas ele escapou ferido. No dia seguinte, em retaliação à tentativa de assassinato, um militante suicida matou 16 israelenses em Jerusalém.

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