Israel reforça fronteira com Gaza para impedir êxodo

Com a eclosão da crise, há 10 dias, Faixa permanece completamente isolada

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 14h25

O Exército israelense reforçou seus efetivos ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza, principalmente nos postos de fronteira, para impedir um êxodo em massa de refugiados palestinos. Militares confirmaram nesta segunda-feira, 18, que todas as passagens continuam fechadas e que teme-se que qualquer incidente provoque um êxodo. "Não podemos abri-las nem sequer de Israel em direção a Gaza porque tememos que se do outro lado os palestinos virem pessoas passando aconteça uma avalanche", pensando que a fronteira está aberta, disse um porta-voz militar. Desde que eclodiu a atual crise palestina, há dez dias, a Faixa de Gaza permanece completamente isolada. Só na sexta-feira e sábado foram abertas temporariamente duas passagens para permitir a saída de jornalistas, pessoal humanitário e 500 refugiados do movimento Fatah. Outra das razões pelas quais a passagem de Erez continua fechada é porque do outro lado não há um interlocutor e "não temos com quem coordenar a abertura", disse a fonte. Israel não mantém nenhum tipo de contato com o movimento islamita Hamas, que considera uma organização terrorista. Desde sexta-feira, o Hamas controla a Faixa de Gaza e as instituições do governo da ANP deixaram de existir formalmente, desautorizadas pelo presidente Mahmoud Abbas. O isolamento de Gaza gera uma série de problemas no abastecimento, mas o problema mais urgente é o dos refugiados que pedem para sair da Faixa e encontram todas as fronteiras fechadas. Ministro da Justiça Em declarações ao jornal israelense Ha´aretz, o ministro da Justiça de Israel, Daniel Friedmann, defendeu a permissão da passagem de refugiados palestinos que queiram ir para a Cisjordânia. "Devemos permitir que os moradores de Gaza que tentam escapar do terror e da ocupação do Hamas possam ir à Cisjordânia", diz o ministro. "Israel deve ajudar na mudança deles, se pedirem refúgio não forem militantes do Hamas nem puserem em perigo nossa segurança", acrescenta. O Ministério do Exterior recomendou ao governo de Ehud Olmert que respeite os Acordos de Oslo na Faixa de Gaza apesar de o Hamas não ser signatário. O Ministério teme que qualquer passo em falso de Israel acabe legitimando o Hamas em suas exigências e em métodos violentos para alcançar seus objetivos. Um relatório do Ministério recomenda que Israel respeite a união aduaneira com a Faixa de Gaza, entre outras razões para evitar uma crise humanitária. "Problemas humanitários em Gaza causarão dano à frente internacional criada contra o Hamas", diz o documento. O texto recomenda ao Exército abster-se de qualquer intervenção militar na zona fronteiriça e, em vez disso, exige ao Egito que assuma a responsabilidade na fronteira e impeça o contrabando de armas para a Faixa de Gaza.

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