Israel rejeita proposta do Hamas para libertar soldado

Grupo palestino exigia libertação de cerca de 1,2 mil presos em troca de militar israelense.

BBC Brasil, BBC

17 de março de 2009 | 18h12

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse nesta terça-feira que seu governo não vai aceitar as condições do Hamas para a libertação de Gilad Shalit, o soldado israelense capturado em 2006 pelo grupo palestino.

"Israel apresentou propostas generosas e abrangentes para a libertação de Gilad", disse Olmert em pronunciamento transmitido pela televisão.

"Aprovei essas propostas, que significavam, na prática, a libertação de centenas de terroristas, inclusive alguns que mataram israelenses. Essas propostas foram rejeitadas, e não faremos outras."

"Existem linhas que não cruzaremos", acrescentou o primeiro-ministro, que deve deixar o cargo em breve e ser sucedido por Binyamin Netanyahu, considerado um político linha-dura, contrário às negociações com o Hamas.

Apesar das declarações de Olmert, um negociador do Hamas no Egito - país que media as negociações - manifestou otimismo de que um acordo pode estar próximo.

"Pela primeira vez, Israel deu passos sérios e percebeu-se um desejo forte do inimigo sionista de resolver esse assunto", disse o negociador Osama Al-Mezaini. "Podemos estar nas últimas horas antes de concluirmos o acordo de troca de prisioneiros."

Segundo o Hamas, Israel ofereceu a libertação de 450 presos palestinos em troca do soldado, sendo que os israelenses nomeariam 225 nomes e o Hamas, os outros 225.

O Hamas exigia a libertação de cerca de 1,2 mil prisioneiros sob custódia israelense em troca do soldado. Integrantes do governo israelense disseram que Israel estava disposto a libertar mais de 300 nomes propostos pelo Hamas, mas não libertaria outros cem.

O governo israelense disse que está preparando uma lista com o nome dos cerca de cem palestinos para que a opinião pública de Israel possa ver que eles estavam envolvidos em sérios ataques realizados nos últimos anos.

A captura de Shalit, em 2006, levou Israel a realizar uma grande incursão militar em Gaza, mas a operação não conseguiu a libertação do soldado.

A família do soldado teme que o novo governo no país adote uma linha mais dura, que torne ainda mais difícil a libertação do militar, e ampliou a pressão sobre o governo atual.

Os pais de Shalit se mudaram no último domingo para uma barraca erguida em frente à residência de Olmert, em Jerusalém, para mobilizar a opinião pública e cobrar uma atitude por parte do primeiro-ministro, que deve deixar o poder ainda neste mês.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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