Israel reocupa assentamentos abandonados no norte de Gaza

Tanques israelenses e blindados carregando soldados entraram em um assentamento israelense abandonado no norte da Faixa de Gaza no noite desta quarta-feira e abriram fogo contra a cidade palestina de Beit Lahiya, disseram testemunhas palestinas.A ação é parte de um plano aprovado pelo governo israelense mais cedo nesta quarta-feira cujo objetivo é consolidar uma zona de segurança contra ataques palestinos com foguetes na região, freqüentemente utilizada por militantes para atacar cidades ao sul de Israel. Além disso, o governo busca também ampliar as pressões sobre os grupos responsáveis pela captura de um soldado israelense no último dia 25.Também nesta quarta-feira, militantes palestinos voltaram a disparar um foguete caseiro contra a cidade israelense de Ashkelon, o segundo em dois dias. A ação contribuiu para que Israel decidisse intensificar a incursão de suas tropas em Gaza. Até esta terça-feira, a cidade de 110 mil habitantes nunca havia sido atingida por esses foguetes, pois era muito distante da fronteira de Gaza para ser atingida. Agora, os militantes parecem ter obtido ou construído foguetes mais potentes.As manobras das forças israelenses na noite desta quarta-feira no acampamento abandonado de Nissanit parecem ser parte desta nova ofensiva.O Exército israelense não confirmou as manobras. Forças israelenses e colonos judeus abandonaram a Faixa de Gaza há cerca de uma ano, destruindo 21 acampamentos como parte de um plano de retirada unilateral da região.Forças israelenses também atacaram o litoral de Gaza, informaram testemunhas palestinas. Em uma praia da região, duas pessoas morreram e 11 ficaram feridas após uma explosão. Segundo as testemunhas, navios de guerra israelenses ou tanques foram responsáveis pelo ataque, mas Israel negou que tenha agido no local. Um dos mortos era um militante do Hamas, e o outro um agente da guarda costeira.Invasão ao norte de GazaDesde a última quinta-feira, Israel mantinha soldados na fronteira com o norte de Gaza, mas os planos de invasão foram adiados com o objetivo de dar uma nova chance aos esforços diplomáticos para que o soldado israelense Gilad Shalit, de 19 anos, fosse libertado.A decisão do gabinete de Segurança israelense de ampliar as ofensivas ao norte de Gaza indica que Israel pode estar se preparando para reocupar o território menos de um ano após retirar todas as tropas e colonos da região.O gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert negou que o governo queira criar uma zona de segurança contra o lançamento de foguetes no local, o que configuraria uma reocupação parcial de Gaza. Ainda assim, funcionários israelenses que participaram da reunião admitiram que Olmert e o ministro da Defesa, Amir Peretz, concordaram que a criação de uma zona "tampão" poderia ser uma maneira efetiva de prevenir os ataques palestinos com foguetes.Esforços políticosParalelamente, mediadores egípcios e turcos tentam colocar um fim na crescente crise causada pela captura de Shalit.Nesta quarta-feira, o secretário do gabinete palestino, Mohammed Awad, disse que as "investidas israelenses são uma ameaça para esses esforços, e devem ser congeladas".No Cairo, os esforços diplomáticos de mediadores egípcios estão estacionados devido a recusa do chefe político do Hamas exilado na Síria, Khaled Mashaal, em pressionar pela libertação incondicional de Shalit. Ainda assim, desde o início da semana negociadores turcos se aproximaram de Mashaal, o que dá fôlego para os que esperam uma saída diplomática para a crise. Na segunda-feira, um conselheiro do primeiro-ministro turco encontrou-se como líder do Hamas, que teria dito que o grupo está preparado para ser extremamente flexível caso Israel também deseje negociar. Segundo jornais turcos, o enviado Ahmet Davudoglu encontrou-se também com o presidente sírio Bashar Assad. No encontro, Davudoglu teria pedido que Bashar usasse sua influência entre os palestinos com responsabilidade.Nova proposta palestinaTambém nesta quarta-feira, a agência de notícias Reuters informou que os militantes responsáveis pelo seqüestros de Shalit estariam prontos para soltar o soldado israelense caso Israel concordasse em acertar um cronograma para libertar prisioneiros palestinos.Ainda segundo a agência, Israel rejeitou a proposta, mas teria aberto a possibilidade de libertar alguns dos prisioneiros até o final do ano.

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