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Três israelenses são mortos em assentamento após confrontos por restrição à Esplanada das Mesquitas

Mais cedo, o presidente da Autoridade Palestina havia anunciado o 'congelamento' dos contatos com Israel, que proibiu a entrada de homens com menos de 50 anos na Cidade Antiga de Jerusalém

O Estado de S.Paulo

21 Julho 2017 | 18h16

TEL-AVIV - Ao menos três israelenses morreram e um ficou gravemente ferido em um ataque com faca a um assentamento judaico no norte da Cisjordânia nesta sexta-feira, 21, informou o Exército de Israel. O ataque o ocorreu na comunidade de Neve Tsuf, a noroeste de Ramallah. Mais cedo, três palestinos morreram após militares israelenses fecharem o acesso à Esplanada das Mesquitas. 

Ainda não se conhece a identidade do responsável pelo ataque, mas, de acordo com o Exército, trata-se de um palestino que fugiu. Entre as vítimas estão dois homens, entre 40 e 5 anos e uma mulher de 60. 

Pelo menos três palestinos morreram nesta sexta-feira em confrontos na Cisjordânia de Jerusalém Oriental entre as forças israelenses e os manifestantes, que protestam contra as novas medidas de segurança para ter acesso à Esplanada das Mesquitas.

"Um palestino morreu por disparos no coração", disse o Ministério da Saúde palestino, explicando que o incidente aconteceu em Abu Dis, na Cisjordânia ocupada. 

Pouco antes, a mesma fonte anunciou a morte de outras duas pessoas em circunstâncias parecidas, uma no bairro de Ras al-Amud (perto da Cidade Velha de Jerusalém) e outra na zona de A-Tur (Jerusalém Oriental).

O Crescente Vermelho palestino informou sobre 391 feridos em Jerusalém e na Cisjordânia enquanto a polícia israelense anunciou um total de 29 prisões nas duas áreas.

A Polícia israelense proibiu que homens com menos de 50 anos entrem na Cidade Antiga de Jerusalém e na Esplanada das Mesquitas, impedindo que participem da tradicional oração muçulmana semanal.

"A entrada na Cidade Velha e no Monte do Templo (Esplanada das Mesquitas para os muçulmanos) fica limitada aos homens de 50 anos, ou mais, e às mulheres de qualquer idade", anunciou a Polícia, em um comunicado.

Em resposta, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, anunciou o congelamento das relações com Israel até que essas medidas sejam suspensas. 

"Em nome da direção palestina anuncio um congelamento de todos os contatos com o Estado ocupante a todos níveis até que Israel se comprometa a anular todas as medidas contra nosso povo palestino em geral e em Jerusalém, e na mesquita Al-Aqsa em particular", declarou Abbas a jornalistas.

Durante o dia, centenas de pessoas protestaram, rezando na rua, perto da entrada da Cidade Velha. Um grupo de pessoas, incluindo líderes muçulmanos, começou a caminhar para a entrada, mas foi contido pela Polícia, que recorreu ao uso de gás lacrimogêneo. Alguns palestinos responderam lançando pedras e outros objetos.

A Esplanada das Mesquitas, onde estão o Domo da Rocha e a mesquita Al-Aqsa, fica na Cidade Antiga de Jerusalém, setor palestino da Cidade Santa. Sua anexação por parte de Israel nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.

Desde domingo, os palestinos denunciam a instalação de detectores de metal nas entradas do lugar santo, decidida por Israel depois do ataque contra policiais israelenses em 14 de julho, perto desse mesmo local.

A medida trouxe de volta o temor dos palestinos de que Israel tome o controle exclusivo do terceiro lugar santo do Islã, também venerado pelos judeus, que o chamam de Monte do Templo.

Desde então, os palestinos decidiram não ir à Esplanada e fazer suas orações na Cidade Antiga.  / EFE e AFP

   

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