Israel retalia ataque em Gaza e mata 4

Foguetes e granadas de morteiro lançados do território palestino feriram gravemente dois trabalhadores tailandeses no sul do país

ISABEL KERSHNER , THE NEW YORK TIMES / JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2012 | 03h01

Extremistas palestinos de Gaza dispararam dezenas de foguetes e granadas de morteiros no sul de Israel na noite de terça-feira e na manhã de ontem, ferindo gravemente dois trabalhadores tailandeses numa comunidade fronteiriça israelense, segundo autoridades de Israel. Em retaliação, quatro militantes palestinos foram mortos por ataques aéreos israelenses, de acordo com autoridades de Gaza.

O aumento da violência na fronteira ocorreu horas depois da visita a Gaza do emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, que prometeu 400 milhões para projetos na área. Ocorreu também simultaneamente a um importante exercício militar conjunto americano-israelense, que se desenrolava em Israel, evidenciando a volatilidade e potencial escalada dos confrontos no momento delicado antes das eleições americanas , no dia 6, e das israelenses, programadas para janeiro.

O ministro israelense da Defessa, Ehud Barak, advertiu ontem que Israel não seria dissuadido de realizar as ações necessárias para restaurar a calma no sul. "Se for necessário uma operação terrestre, haverá uma operação terrestre", disse ele à Rádio Israel. "Ninguém está ansioso por isso, mas agiremos se formos solicitados a parar com essa onda e aumentar a eficiência da operação."

Na madrugada de quarta-feira, Israel fechou a Passagem de Erez, usado por indivíduos e funcionários de agências humanitárias que transitam entre Gaza e Israel, e o cruzamento comercial Kerem Shalom, citando o perigo dos disparos de foguetes. Maher Abu Sabha, diretor dos postos de fronteira em Gaza, disse que o ponto de inspeção da polícia do Hamas perto de Erez, no extremo norte do território, foi esvaziado depois que um agente foi ferido por projéteis que caíram no local.

Um porta-voz médico em Gaza disse também que os ataques israelenses tinham ferido várias pessoas, algumas com gravidade. A mais recente rodada de violência parece ter começado no fim de semana. Os dois lados se abstiveram de realizar ações durante as horas da visita do emir, mas, na terça-feira pela manhã, horas antes de sua chegada a Gaza, um agente israelense foi gravemente ferido na explosão de um dispositivo plantado por militantes palestinos ao longo da fronteira.

A violência renovada e o fechamento temporário das fronteiras foram um claro lembrete das dificuldades que Gaza tem para atrair investimentos, e do significado do gesto do emir, cuja infusão de ajuda está programada para a construção de dois complexos habitacionais e a recuperação de três estradas, entre outros projetos.

Gaza sofreu uma extensa destruição durante a ofensiva militar israelense de três semanas entre 2008-2009, que veio após anos de persistentes disparos de foguetes da Faixa de Gaza sobre o sul de israelense. Israel ainda impõe duras restrições à importação de material de construção por parte de Gaza por temer que eles sejam usados pelo Hamas para a fabricação de armas ou fortificações.

Tudo isso torna ainda mais curioso que o Hamas, que teve de se conformar com um cessar-fogo informal com Israel nos últimos anos, seja em parte responsável pela mais recente rodada de violência.

Sua ala militar reivindicou ontem a responsabilidade pelos disparos de foguetes contra Israel "como resposta à agressão em curso contra o povo palestino". O Hamas está sob pressão local de grupos mais radicais nos últimos meses e pode estar ansioso para mostrar que não abandonou o que chama de resistência contra Israel.

O Hamas afirmou que os foguetes atingiram bases militares israelenses ao longo da fronteira, mas vários deles explodiram em vilarejos rurais, atingindo casas e edifícios. As autoridades israelenses fecharam escolas na região e instruíram moradores a buscarem abrigos antibombas.

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