Israel retira limitação de acesso por idade à Esplanada de Mesquitas

Israel retira limitação de acesso por idade à Esplanada de Mesquitas

Netanyahu se reúne com o rei da Jordânia, Abdullah II, e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, para reduzir a tensão em Jerusalém

O Estado de S. Paulo

14 de novembro de 2014 | 10h02

 


(Atualizada às 15h55) JERUSALÉM - A Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, teve uma sexta-feira tranquila, após a polícia israelense retirar as limitações de acesso por idade aos homens muçulmanos que desejavam orar no local pela primeira vez em semanas.

Segundo a polícia, as restrições de idade variam de acordo com o dia e são impostas ocasionalmente com a intenção de reduzir a violência entre palestinos e israelenses ultranacionalistas. Há semanas, o acesso ao local para a oração comunitária das sextas-feiras estava restrito aos maiores de 50 anos.

A Esplanada das Mesquitas, complexo de 15 hectares que abriga a Cúpula de Rocha e a mesquita de Al-Aqsa, é o terceiro lugar mais sagrado do Islã.

Sob as regras de acesso à Al-Aqsa, que é administrada por autoridades religiosas da Jordânia, judeus podem entrar no complexo, mas não têm permissão para rezar. Nos últimos anos, ativistas judaicos pressionam pela permissão de rezarem no local e, nas últimas semanas, houve um aumento dos protestos palestinos contra judeus nacionalistas de ultradireita que querem a permissão de orarem no local.

"Cerca de 40 mil pessoas vieram pacificamente hoje (sexta-feira), rezaram e deixaram a mesquita tranquilamente. Esperamos que seja uma nova página, vamos monitorar a situação nos próximos dias e próximas semanas", afirmou o diretor-geral da Waqf, autoridade jordaniana que administra o complexo.

Não está claro se o dia calmo se deveu ao fim das restrições ou foi resultado de um avanço diplomático obtido na noite anterior. Isso porque o fim da restrição ocorreu horas depois de o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, viajar para Amã e se reunir com o rei da Jordânia, Abdullah II, e o secretário de Estado americano, John Kerry, para diminuir a tensão em Jerusalém.

Kerry afirmou que Israel e Jordânia se comprometeram com uma série de passos "específicos e práticos" para reduzir os conflitos em Jerusalém e palestinos se comprometeram a interromper a incitação à violência.

Os muçulmanos denominam a Esplanada das Mesquitas de Nobre Santuário e creem que o profeta Maomé ascendeu aos céus do Domo da Rocha no século 7. Já os judeus chamam o local de Monte do Templo, onde dois templos bíblicos teriam sido erguidos, e o consideram tão sagrado que comparam as orações realizadas lá com as realizadas no Muro das Lamentações.

Nas últimas semanas, palestinos tiveram confrontos com a polícia no complexo, em resposta à visitação de fiéis judeus. Essas visitas levantaram alegações de que Israel poderia alterar a permissão de acesso ao local, o que Israel nega.

No fim de outubro, Israel fechou totalmente o acesso à Esplanada pela primeira vez em 40 anos, como resposta à tentativa de assassinato cometida por um palestino contra o rabino Yehuda Glick, ultranacionalista israelense que luta para mudar o status da Esplanada e reabri-la para as orações judaicas. /EFE e NYT

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