Israel retira soldados de Belém

Israel concluiu a retirada de seus soldados de Belém no início desta terça-feira (pelo horário local), num importante passo para a implementação do primeiro acordo de segurança entre palestinos e israelenses em mais de um ano. Como teste, Israel passou aos palestinos o controle sobre Belém e toda a Faixa de Gaza. Residentes palestinos afirmaram que as últimas tropas israelenses deixaram Belém pouco depois da meia-noite, e foram substituídas por policias palestinos, que agora iniciam a segurança do local. A informação foi confirmada por um comunicado emitido pelos militares israelenses. Enquanto a tensão diminui em alguns locais, a violência prossegue em outros. Tropas israelenses demoliram hoje um prédio supostamente utilizado para a fabricação de bombas na cidade velha de Nablus. Nos arredores de Jenin, um tiroteio entre israelenses e palestinos culminou na morte de um garoto palestino de 14 anos. O ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, e o ministro palestino de Interior, Abdel Razak Yehiyeh, chegaram ao primeiro acordo entre as partes desde junho do ano passado, quando o diretor-geral da CIA, George Tenet, trabalhou numa proposta de cessar-fogo nunca implementada. Os dois lados concordaram que Israel retiraria seus soldados de Belém e de toda a Faixa de Gaza enquanto a responsabilidade pela segurança nestes locais voltaria para a Autoridade Palestina. O acordo é um teste para que no futuro o mesmo possa ser feito nas outras cidades da Cisjordânia ocupadas por Israel. "De nossa parte, adotaremos todas as medidas necessárias para que haja segurança interna e segurança pública nessas áreas", declarou Yehiyeh à Associated Press. A presença de Israel em Belém, uma cidade da Cisjordânia pouco ao sul de Jerusalém, foi mais discreta, comentaram moradores. Apenas dois ou três veículos blindados eram vistos e os soldados impunham toques de recolher durante a maior parte do dia. Em Gaza, a polícia palestina verificou os documentos dos motoristas numa importante rodovia no norte da faixa. Oficiais de polícia disseram, sob condição de anonimato, que a checagem de documentos faz parte do novo acordo e que todos os aspectos deste serão implementados. Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, elogiou o acordo. "Esperamos que este seja um sinal de que mais desdobramentos satisfatórios estão por vir", disse ele. Pouco após o início da atual intifada, em setembro de 2000, Israel impôs duras restrições aos moradores da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, estabelecendo bloqueios rodoviários, isolando bairros e cidades e arrasando a economia palestina. Israel alega que tais medidas são necessárias para manter extremistas longe de seu território. Os palestinos denunciam que o objetivo israelense é oprimir a população e derrubar Yasser Arafat. A situação intensificou-se nos últimos meses. Em resposta a atentados suicidas palestinos, Israel enviou, em duas oportunidades, um grande número de soldados a cidades cisjordanianas. Em junho, as forças israelenses tomaram o controle de sete das oito maiores cidades palestinas da Cisjordânia, impondo rígidos toques de recolher e mantendo um cerco fechado. A retirada de Belém seria a primeira medida de alívio concedida por Israel desde meados de junho. Os movimentos Hamas e Jihad Islâmica manifestaram-se contrários ao acordo. Ambos alegam que o pacto tem como objetivo acabar com o levante palestino, e prometem continuar com seus ataques a Israel. Os grupos são os responsáveis pela maior parte dos atentados palestinos dos últimos dois anos. Em resposta às críticas, Yehiyeh disse que aqueles que reclamam do acordo "dizem em outras palavras que querem que o cerco e a ocupação das cidades continuem". O acordo também foi criticado pela associação que representa os colonos judeus estabelecidos em assentamentos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. "Esta medida contraria os interesses de segurança israelenses", opinou a associação por meio de um comunicado. "Os palestinos devem ser derrotados e a guerra assim deve ser encerrada." Colonos judeus são alvos freqüentes de militantes palestinos. Tentativas anteriores de se chegar a um cessar-fogo ruíram devido ao prosseguimento dos ataques mútuos entre israelenses e palestinos. Apesar de os grupos fundamentalistas islâmicos serem mais fortes em Gaza, todos os militantes suicidas do Hamas e da Jihad Islâmica que entraram em Israel eram provenientes da Cisjordânia. Analistas israelenses dizem que a principal razão para isto é a cerca de segurança que isola a Faixa de Gaza de Israel. A maior parte da fronteira israelense com a Cisjordânia não é fortificada, o que tornaria mais fácil a infiltração de militantes em cidades israelenses. Os israelenses garantem que, se as forças de segurança palestinas conseguirem manter os militantes sob controle em Belém e na Faixa de Gaza, os soldados israelenses se retirarão das outras cidades palestinas. Os palestinos exigem que Israel remova todos os bloqueios rodoviários e recue seus soldados às posições anteriores a 28 de setembro de 2000. Na cidade velha de Nablus, soldados israelenses promoveram hoje uma imensa explosão. Os militares disseram ter demolido uma grande fábrica de explosivos. Numa aldeia nos arredores de Jenin, no norte da Cisjordânia, um garoto palestino de 14 anos morreu durante um confronto entre militares israelenses e pistoleiros palestinos, disseram moradores locais. O Exército de Israel não comentou o incidente.

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