Israel retira tropas de Nablus, mas operações continuam

O Exército israelense retirou nas últimas horas dezenas de blindados da cidade de Nablus, na Cisjordânia, e suspendeu o toque de recolher, mas as operações de busca e captura de milicianos palestinos, e a destruição das instalações continuam, informou um porta-voz militar."A Operação Inverno Quente (que começou há três dias em Nablus)continua, apesar da retirada de dezenas de blindados e veículos para todo terreno do Exército", acrescentou o porta-voz.Na manhã desta terça, a vida voltou ao normal na cidade do norte da Cisjordânia com a suspensão do toque de recolher. Desde domingo a medida atingia cerca de 50 mil moradores na área da tumultuada parte antiga, a Alcazaba.Fontes palestinas informaram que as atividades escolares ecomerciais foram retomadas na localidade, segunda maior doterritório ocupado, com 100 mil habitantes.O porta-voz militar confirmou que o toque de recolher foi levantado após a retirada, aparentemente provisória, das tropas. O Exército opera freqüentemente em Nablus e Jenin, consideradas centro de atividade da resistência palestina.EstratégiaUm alto comando das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, citado pela versão eletrônica do jornal Yedioth Ahronoth, disse que a retirada dos carros e das tropas da cidade é uma estratégia do Exército israelense para fazer com que sete milicianos palestinos que ainda não foram capturados saiam do esconderijo.A retirada dos soldados e de mais de cem veículos, carrosblindados e escavadeiras começou na noite de segunda-feira, 26. Ou seja, horas depois que o comandante do regimento da Judéia e Samaria (Cisjordânia), tenente-general Yair Golan, disse em entrevista que a Operação "continuará até cumprir seus objetivos".Um desses objetivos, além de atacar a "infra-estrutura terrorista", é a captura de sete milicianos das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa,filiadas ao movimento nacionalista Fatah, liderado pelo presidenteda Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.Porta-vozes da ANP denunciaram a incursão militar de Israel, amais intensa desde a "Operação escudo de defesa" de 2002, em pleno levante palestino (Intifada), e pediram a intervenção da comunidade internacional para detê-la.O tenente-general Golan informou que os palestinos procuradosainda não foram encontrados porque se trata de uma tarefa "muitocomplexa e difícil" de ser realizada em áreas urbanas, acrescentando que "isso leva tempo".Desde que as operações começaram, concentradas na tumultuadaAlcazaba, os soldados israelenses mataram um palestino de 41 anos e feriram outro. Dois soldados também ficaram feridos.Direitos humanosA organização Médicos pelos Direitos Humanos exigiu na noite desegunda-feira a retirada dos militares dos dois hospitais de Nabluspara que o atendimento médico possa ser prestado à população.Golan negou que os soldados tenham impedido o atendimento aosmoradores, dizendo que as forças estão no local para capturarmilicianos que costumam se refugiar nas ambulâncias, "o que jáaconteceu anteriormente".Segundo o tenente-general, os soldados descobriram quatrolaboratórios de explosivos, artefatos eletrônicos para ativá-los efoguetes Law antitanque, entre outras armas nos dois primeiros dias da Operação.As Brigadas assumiram nesta segunda o assassinato com arma branca de um colono judeu da área de Hebron, Erez Levanón, de 42 anos, enquanto passeava desarmado, há dois dias, por um vale próximo do assentamento de Bat Ayn e da aldeia palestina de Beit Omar.Os assassinos foram presos na noite de segunda-feira econfessaram o crime, segundo fontes militares, mas negaram pertencer a uma facção palestina.

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