AP Photo/Oded Balilty
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Israel retoma confinamento em meio a festas judaicas após aumento dos casos de covid-19

Governo determinou três semanas de restrições; sinagogas também foram afetadas, despertando o protesto de judeus ultraortodoxos

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 13h46

TEL-AVIV - A população de Israel, país com o maior índice de contágio do coronavírus nas últimas duas semanas, voltou a cumprir confinamento nesta sexta-feira, 18, justamente quando começa a temporada das festas judaicas, o que causa descontentamento em grande parte de seus habitantes.

"O sistema de saúde levantou a bandeira vermelha", declarou o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu para justificar este segundo confinamento geral, que entrou em vigor às 14h (8h de Brasília) e deve se estender por três semanas.

A medida coincide com as festas de Rosh Hashanah (Ano Novo judaico, neste fim de semana), Yom Kippur (Dia do Perdão) e Sucot, que é celebrado por volta de 10 de outubro.

Na semana passada, as autoridades impuseram um toque de recolher em cerca de 40 cidades do país, especialmente em cidades árabes e judias ultraortodoxas, na esperança de desacelerar a propagação do vírus. Isso não impediu, porém, o aumento do número de casos, com hospitais e pessoal médico sobrecarregados, apesar de, no primeiro surto da doença, o país ter sido considerado exemplar na gestão sanitária.

Entre a noite de quinta e esta manhã, o Ministério da Saúde registrou 5.238 novos casos, algo inédito. "Fizemos tudo para tentar encontrar um equilíbrio entre as necessidades de saúde e as necessidades econômicas, mas estamos testemunhando um aumento preocupante de infecções e de casos graves nos últimos dois dias", disse Netanyahu na noite da quinta-feira 17.

Manifestações

Enquanto o primeiro-ministro falava, centenas de manifestantes, usando máscaras cobrindo o rosto, reuniram-se em Tel-Aviv para protestar contra as novas medidas do governo. "Uma epidemia de mentiras!", dizia um cartaz.

"O confinamento é injustificado", afirmou Tamir Hefetz, organizador da manifestação. "Prejudica a população e a economia, gera desemprego e suicídios", insistiu.

"Não se pode fechar um país desta forma", considerou nesta sexta o Yediot Aharonot, o jornal mais vendido de Israel, que publicou inúmeras entrevistas com médicos, economistas e educadores, todos opostos ao reconfinamento.

Netanyahu especificou que não hesitaria em endurecer, se necessário, as restrições adotadas.

O Estado não espera que os cidadãos respeitem o confinamento tanto quanto fizeram em março, escreveu Amos Harel no jornal Haaretz. "No início da crise, o pânico estava no auge. Seis meses depois, as coisas estão um pouco diferentes", apontou o jornalista, criticando "a falta de relevância das decisões do governo: as instruções são complicadas, muitas vezes contraditórias e constantemente modificadas".

Horas antes da entrada em vigor do confinamento, o governo finalmente autorizou os deslocamentos até um quilômetro da casa, contra 500 metros inicialmente (e 100 metros no primeiro confinamento).

Sinagogas afetadas

Os israelenses poderão sair apenas para ir ao mercado, à farmácia, ou ao trabalho, se for uma profissão considerada essencial.

Há exceções, como ir a "funerais, ou circuncisão", disse o Ministério da Saúde, que também impõe restrições aos locais de culto.

As sinagogas geralmente ficam lotadas nos dois dias do Rosh Hashanah e especialmente no Yom Kippur. Este ano, contudo, os fiéis poderão orar nessas sinagogas dependendo do tamanho do edifício. 

Pela primeira vez em sua história, a grande sinagoga de Jerusalém não sediará as celebrações do Ano Novo judaico.

Os judeus ultraortodoxos planejam manifestações no domingo contra a "injustiça" que dizem estar sofrendo, devido às restrições aos locais de culto. / AFP

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