Israel retoma negociações e mortes aumentam

Israel decidiu nesta quarta-feira que voltará a negociar com os palestinos a paz na região, um dia após a suspensão de reuniões maratônicas devido ao assassinato de dois israelenses na Cisjordânia. Um comunicado do governo informou que negociações serão retomadas amanhã à tarde em Taba, no Egito.O primeiro-ministro Ehud Barak ordenou ontem o retorno paraconsultas dos líderes de sua equipe de negociadores depois dedois donos de um restaurante de Tel Aviv terem sido assassinadospor pistoleiros mascarados na Cisjordânia. A decisão de retomar as negociações foi tomada numa reuniãoentre Barak e seus principais ministros na residência do premierem Jerusalém, informou a rádio. De acordo com o comunicado divulgado pelo gabinete de Barak,as negociações deverão ser reiniciadas após os funerais dos doisisraelenses, que serão sepultados em Haifa, e "prosseguirão poralguns dias", enquanto se aproximam as eleições em Israel,previstas para 6 de fevereiro. Antes da decisão, diversos membros do gabinete doprimeiro-ministro afirmavam que as negociações deveriamprosseguir apesar da violência. "Sempre que há um atraso, o preço a ser pago é maior para osdois lados, que querem um acordo de paz", disse o ministroisraelense da Justiça, Yossi Beilin, à rádio do Exército."Sempre haverá extremistas que não querem a paz e tentarão detudo para interromper as negociações." O grupo islâmico fundamentalista Hamas assumiu aresponsabilidade pelo ataque que causou a morte dos primos EtgarZeitoun, de 32 anos, e Motti Dayan, de 27, justificando-o comouma ação contra dois agentes do serviço secreto de Israel, oShin Bet. As forças de segurança israelenses ainda têm dúvidas sobre aautoria da ação e asseguram que as duas vítimas eramproprietários de restaurantes de Tel-Aviv que haviam ido aTulkarem com um amigo árabe-israelense para comprar produtos innatura mais baratos, mesmo com Israel tendo proibido seuscidadãos de viajarem para os territórios ocupados. Quando os três almoçavam num restaurante, homens mascaradosseqüestraram os judeus e os mataram. Hoje, o Exército voltou aadvertir que os israelenses estão proibidos de ir a Gaza eCisjordânia. Nesta quarta-feira, houve duas tentativas de infiltração emterritórios controlados por Israel por parte de palestinos,informou o Exército israelense. Em Gaza, soldados viram trêspalestinos tentando entrar no assentamento judaico de RafiahYam. Os soldados israelenses abriram fogo, matando um e ferindooutro, disseram as fontes sob condição de anonimato. O palestinoferido fugiu com o terceiro, que saiu ileso, na direção dosterritórios palestinos. Mais cedo, a palestina Aisha Abdel-Karin Nassar, de 28 anos,que sofrera um ataque cardíaco, morreu no carro que a levava aum hospital de Ramallah porque os soldados não deram permissãopara o veículo cruzar um posto de controle. À espera de umaambulância de Ramallah, Aisha faleceu. O Exército informou queiria checar o caso. As recentes mortes elevaram para 373 o número de mortos emquatro meses de intifada (330 árabes e mais de 40 judeus).

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