Israel rompe com Conselho de Direitos Humanos da ONU

O Ministério de Relações Exteriores de Israel decidiu nesta segunda-feira romper contato com o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), depois que o organismo informou, na semana passada, que investigaria assentamentos israelenses.

AE, Agência Estado

26 Março 2012 | 12h19

"Foi uma decisão do Ministério de Relações Exteriores romper contatos de trabalho com a organização", disse o porta-voz do ministério Yigal Palmor à agência France Presse, lembrando que a decisão ainda precisa ser formalmente informada ao conselho.

O governo israelense também vai impedir a entrada de um grupo da ONU na Cisjordânia para realizar a investigação sobre os assentamentos. Israel acusa o conselho de apresentar um acentuado viés anti-Israel. O país afirma a ONU tem foco desproporcional sobre a política israelense em relação aos palestinos.

Líderes israelenses ficaram alvoroçados por causa da adoção de uma resolução do conselho, na semana passada, condenando a construção de assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental e com a decisão do conselho em enviar uma missão de sondagem para investigar os acontecimentos.

Por meio de comunicado, o ministro de Relações Exteriores Avigdor Lieberman anunciou que Israel estava cortando relações com o organismo da ONU. "Isso significa que não vamos mais trabalhar com eles. Não vamos permitir que eles realizem qualquer tipo de missão para o Conselho de Direitos Humanos, incluindo essa investigação", afirmou Palmor.

Os palestinos reúnem mapas e fotografias dos assentamentos para apresentar ao conselho, disse o funcionário palestino Nabil Shaath. Segundo ele, Israel não vai conseguir interromper a investigação ao cortar suas ligações com o organismo. "Iremos a qualquer organização internacional que possa investigar e impor sanções", disse ele.

Grande parte da comunidade internacional vê a construção de assentamentos em terras palestinas ocupadas - que os palestinos querem para a formação de seu futuro Estado - como um grande impedimento para a paz na região e pressiona Israel para que congele novas construções.

Israel transferiu 500 mil israelenses para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental desde que capturou os territórios, durante a Guerra dos Seis Dias em 1967. Israel retirou seus soldados e colonos de Gaza em 2005, embora ainda controle o acesso ao território por mar, terra e ar. As informações são a Associated Press e da Dow Jones.

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