Israel sabota programa iraniano, diz ''Telegraph''

Israel teria lançado uma guerra de sabotagens contra o Irã para atrapalhar os planos do país de desenvolver armas nucleares, segundo reportagem publicada ontem pelo jornal britânico Daily Telegraph, citando especialistas de inteligência americana. A estratégia secreta evitaria uma guerra aberta contra Teerã. "O objetivo é atrasar, atrasar, atrasar (o programa nuclear), até se chegar a outra solução. É uma boa política", afirmou um ex-funcionário da CIA que não quis se identificar. Questionado sobre a veracidade das informações publicadas, o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, negou-se a responder. "Não é nossa prática comentar esse tipo de alegação", afirmou. Mas alguns observadores internacionais acreditam haver evidências de que a estratégia israelense exista de fato. Um dos principais indícios seria a morte do cientista nuclear iraniano Ardeshire Hassanpour, num suposto vazamento de gás, em 2007. O especialista em Irã Meir Javendafar, do instituto israelense Meepas, também citou relatos de que foram vendidos equipamentos danificados para o programa nuclear do Irã. "É uma ação lógica. Na falta de uma solução diplomática e na impossibilidade de uma guerra neste momento, é a melhor saída", disse. O programa de sabotagens, que seria chamado de "projeto de decapitação", teria ganhado ainda mais ênfase desde a eleição do presidente Barack Obama. O novo presidente americano adotou uma linha mais diplomática em relação a Teerã, reduzindo a possibilidade de um ataque militar ao país.HAMASO gabinete de Segurança de Israel anunciou ontem oficialmente que estuda uma troca de prisioneiros com o Hamas. O Estado judeu libertaria centenas de detentos palestinos em troca da libertação do soldado Guilad Shalit, sequestrado em junho de 2007. Segundo Regev, o assunto será discutido hoje pelo alto escalão do governo israelense e influenciará nos termos de uma trégua de longo prazo na Faixa de Gaza. Ontem, o primeiro-ministro Ehud Olmert repetiu suas condições para a negociação com o Hamas. "Vamos negociar a libertação primeiro e somente depois vamos discutir coisas como fronteiras e reconstrução da Faixa de Gaza", disse durante visita a Jerusalém. Em Gaza, a ONU informou que foram roubadas cinco toneladas de bombas israelenses que não explodiram durante a ofensiva do início do ano. De acordo com Richard Miron, porta-voz das Nações Unidas para a região, os explosivos estavam em um depósito sob guarda da polícia do Hamas, à espera de uma equipe de especialistas que iria desarmá-los. "É um material extremamente perigoso", alertou Miron.

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