Israel sai de vilarejo, mas aumenta ação em cidades palestinas

Horas depois de o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, ter-se reunido com o enviado especial norte-americano, general Anthony Zinni, e pronunciado um desafiador discurso na Knesset (Parlamento), tropas de Israel começaram a retirar-se do vilarejo cisjordaniano de Yatta, a 10 quilômetros de Hebron.Segundo a Rádio Israel, os militares israelenses começaram, na noite desta segunda-feira, a se retirar também de Qalqilya e Tulkarem, ambas no norte da Cisjordânia. Enquanto isso, fontes palestinas diziam que tanques e veículos de artilharia israelenses fizeram uma incursão durante a noite na área palestina autônoma de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, durante a qual abriram fogo e feriram uma pessoa.De acordo com as fontes, os tanques entraram cerca de 250 metros e dispararam contra um homem, que ficou ferido no rosto. Por sua vez, os soldados revistavam as casas dos moradores locais. Fontes palestinas também confirmaram a retirada das tropas israelenses de Yatta, acrescentando que as unidades de infantaria apoiadas por tanques, levaram consigo 50 prisioneiros, inclusive o representante parlamentar do povoado.Yatta tinha sido ocupado no sábado, e os soldados isrealenses destruíram no local o edifício-sede da Força 17, a guarda pessoal do presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat. As fontes palestinas confirmaram ainda o início da retirada em Qalqilya e Tulkarem.Analistas israelenses qualificaram os movimentos de retirada - de características mais simbólicas do que práticas - como uma tentativa do regime de Sharon de aliviar a pressão cada vez mais intensa da administração de George W. Bush pela saída das tropas que ocupam as principais cidades palestinas.Um comunicado emitido no fim da noite desta segunda pelo ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, dizia que a operação para dissolver redes de militantes islâmicos em Qalqilya e Tulkarem haviam sido realizadas "com sucesso" e que os soldados se retirariam, mas manteriam o cerco às cidades.Em Washington, o secretário de Imprensa da Casa Branca, Ari Fleischer, fez um breve comentário sobre os planos de retirada. "É um começo", disse ele. Em Ramallah, onde tanques israelenses mantêm Arafat confinado em seu quartel-general desde o dia 29, não se verificou nenhum sinal de recuo por parte do Exército de Israel.Combates pesados se registraram durante toda esta segunda-feira nas cidades de Jenin e Nablus. Em Belém, onde cerca de 200 palestinos armados estão refugiados na Basílica da Natividade - local onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo - os soldados israelenses dispararam contra uma das paredes do complexo cristão, causando a morte de um palestino.Em Jenin, os helicópteros com artilharia dispararam contra um campo de refugiados palestinos. "O número de mortos é tão grande que ainda não pôde ser calculado", disse o chefe de um hospital local, Mohamed Abu Jali. "Há mais de uma centena de mortos; os soldados não distinguiram crianças, mulheres ou velhos, e atiraram até nos cadáveres que estavam espalhados pelas ruas", afirmou um dos refugiados, Mohamed Ahmid.Os militares israelenses não permitiram que equipes de jornalistas entrassem no campo, declarado "zona militar fechada". Segundo fontes israelenses, dois soldados morreram na ofensiva em Jenin, e um terceiro militar israelense ficou gravemente ferido.Cerca de 15.000 pessoas vivem no campo em Jenin, considerado por Israel um dos principais lugares de origem dos homens-bomba que têm perpetrado atentados contra israelenses. Em Nablus, o Exército israelense chegou a dar por terminada a ofensiva contra a Casbah - antigo centro comercial da cidade -, onde 500 palestinos resistiam havia dez dias.Fontes palestinas, no entanto, desmentiram as informações segundo as quais os resistentes tinham se rendido. "Essas informações são parte da campanha psicológica de propaganda de Israel", afirmou o responsável pelas forças de segurança palestinas na cidade, Talal Duekat. "Os combates na Casbah continuam."

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