Israel se retira de Beit Rima, mas não de outras cidades

Forças israelenses mantiveram, nesta quinta-feira, a ocupação de seis cidades da Cisjordânia, mas se retiraram de uma vila onde promoveram um sangrento assalto que deixou cinco palestinos mortos. Em meio a críticas diárias dos Estados Unidos a Israel pela ocupação das cidades, que já dura uma semana, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, convocou seu gabinete para considerar o fim da operação, que já matou dezenas de palestinos, mas não conseguiu prender os assassinos de um ministro do governo de Israel. Um dia depois do assassinato, em 17 de outubro, tropas israelenses entraram em seis cidades da Cisjordânia, e a violência persistiu em algumas áreas nesta quinta, dia em que quatro palestinos foram mortos em incidentes em Belém e Tulkarem. Tropas israelenses abandonaram a vila de Beit Rima, onde moradores foram confinados a suas casas por mais de um dia enquanto soldados judeus buscavam os assassinos do ultranacionalista ex-ministro do Turismo Rehavam Zeevi. Cinco policiais palestinos de um posto em Beit Rima foram mortos pelos invasores israelenses na quarta-feira. Moradores disseram que três outros, levados a um hospital israelense, também morreram, mas funcionários do hospital afirmaram que os três estão feridos - um gravemente e os outros dois levemente. Mais dois estavam sendo tratados num hospital de Ramallah, segundo moradores. Os israelenses disseram ter prendido 11 palestinos, dois deles ligados ao assassinato, que foi assumido pela Frente Popular para a Libertação da Palestina, como vingança pela morte, por forças de Israel, em 27 de agosto, de seu líder Mustafa Zibri. Ele era acusado pelo Estado judeu de planejar ataques contra israelenses. Forças israelenses também destruíram três casas, entre elas a de Basel Asmar, um líder local da FPLP, de 25 anos. Moradores afirmaram que ele havia partido dois dias antes do assassinato e não retornou. "Ele me ligou no dia do assassinato e disse que estava bem", relatou a mãe dele, Itisam, de 50 anos. Outra das casas abrigava quatro famílias. Ahmed Barghouti, 73 anos, disse que soldados israelenses chutaram uma menina de cinco anos, e que ela estava chorando desde então. O gabinete palestino classificou o assalto israelense à vila de "terrível massacre" e declarou esta quinta-feira dia de luto. Estudantes palestinos respeitaram um minuto de silêncio, com bandeiras hasteadas a meio pau, e as lojas fecharam. Israel emitiu um comunicado afirmando que dois membros de uma célula de quatro pessoas que promoveu o assassinato foram presos em data anterior. Entretanto, o comunicado disse que o palestino suspeito de ter atirado em Zeevi, identificado como Hamdi Koraan, ainda estava foragido. Em Belém, um destacado militante do Hamas foi morto numa troca de tiros, e um policial foi morto em outro enfrentamento com tropas israelenses, afirmaram palestinos. Um civil foi morto por um franco-atirador posicionado no topo de um hotel, segundo palestinos. O Exército israelense afirmou que estava checando a notícia. Em Tulkarem, um oficial da inteligência palestina foi morto por disparos israelenses. Mais cedo, nesta quinta-feira, tropas israelenses entraram no centro da cidade e depois se retiraram. Um comunicado do governo israelense anunciou que suas forças de segurança haviam prendido 42 palestinos "diretamente vinculados com atividades terroristas" desde o assassinato do ministro. Em choques com as forças invasoras israelenses, 36 palestinos já foram mortos, entre eles muitos civis. Ao todo, em mais de um ano de violência, 721 pessoas já morreram do lado palestino, e 186, entre os israelenses. O ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres, retornou nesta quinta de Washington, onde ouviu do presidente George W. Bush e outras autoridades americanas pedidos para a retirada israelense. "Os EUA sentem que sempre atendem aos nossos pedidos", disse Peres. "Eles agora esperam, também, que atendamos ao deles". Membros moderados do Partido Trabalhista, de Peres, que faz parte do governo de coalizão de Sharon, mostram-se cada vez mais incomodados com a incursão e preocupados com o fato de que ela pode enfraquecer o líder palestino Yasser Arafat a ponto de provocar o colapso da Autoridade Palestina. O ministro da Infra-Estrutura, Avigdor Lieberman, do mesmo partido de Zeevi, União Nacional, e o ministro da Segurança Interna, Uzi Landau, do Partido Likud, de Sharon, têm pedido publicamente a deposição e expulsão de Arafat, acusando-o de encorajar o terrorismo palestino. Numa entrevista à rede CNN esta semana, Peres perguntou: "Suponhamos que Arafat deixe o país, e então?... Deveria uma nova liderança ser oferecida a palestinos mais extremistas, como o Hamas ou a Jihad (Islâmica)?" Sharon tem dito que as tropas israelenses só vão retirar-se depois que Arafat entregar os assassinos de Zeevi e prender militantes. Mas Sharon também garante que não tem intenção de permanecer indefinidamente em território palestino e nem de remover Arafat.

Agencia Estado,

25 Outubro 2001 | 18h54

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