Israel silencia após iranianos cruzarem Suez

Navios de guerra do Irã usam passagem egípcia pela primeira vez desde a revolução de 1979

, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

TEL-AVIV

Os líderes israelenses mantiveram um tenso silêncio ontem, depois do anúncio de que dois navios de guerra iranianos passaram pelo Canal de Suez e entraram no Mar Mediterrâneo na direção da Síria. Anteriormente, Tel-Aviv havia descrito a ação como uma provocação.

Um funcionário do governo israelense afirmou que a passagem das embarcações pelo canal deixou uma nova "pegada na região". Nenhuma embarcação do Irã havia usado a passagem desde 1979, quando o país realizou sua Revolução Islâmica. Sem poder se identificar, a fonte acrescentou que, dada a presença do Hezbollah ao norte de Israel e do Hamas ao sul - ambos apoiados pelo Irã -, o episódio causa grande preocupação .

As barcos iranianos não deveriam entrar no mar territorial de Israel, mas sua jornada entre a saída do Canal de Suez e a Síria ainda os tornam os navios de guerra iranianos a mais aproximar-se do país na história recente. Tel-Aviv afirmou que iria monitorar a movimentação.

À agência estatal Irna, a república islâmica declarou que os navios deveriam atracar em um porto sírio "nos moldes dos encontros fraternais entre os dois países", em uma mensagem destinada, aparentemente, a acalmar os ânimos. Citando uma fonte não identificada, a agência disse que tais visitas a países amigos são "usuais" e têm como alvo a "cooperação bilateral".

Mais cedo ontem, um funcionário do ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse que Israel, obviamente, não estava nada satisfeito com esse desdobramento.

Mas ele reiterou a opinião de Barak declarada à Fox News na semana passada de que, apesar de a ação não ser bem-vinda por Tel-Aviv, não deve ser superestimada.

Barak falou com a imprensa ontem, mas não mencionou as embarcações iranianas. Disse, porém, que um novo escudo antimísseis, o Arrow 2, acabara de realizar um teste bem-sucedido, derrubando um míssil que representava as "futuras ameaças" que Israel poderá enfrentar, em clara referência a armas que poderiam ser disparadas contra Tel-Aviv por inimigos como o Irã. O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse no domingo que o movimento iraniano é "extremamente grave". / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.