Israel suspende retirada de Jenin

Israel anunciou, nesta segunda-feira, ter suspendido a retirada de tropas da cidade de Jenin, Cisjordânia, depois que uma bomba explodiu num assentamento judeu próximo, ferindo três pessoas. Autoridades israelenses, entretanto, sublinharam que ainda pretendem retirar suas tropas de Jenin e de duas outras cidades nas quais entraram cerca de três semanas atrás para perseguir militantes - contanto que a Autoridade Palestina garanta a calma nas áreas. Cerca de 22 tanques israelenses abandonaram na madrugada desta segunda-feira a cidade palestina de Qalqilya, retirando-se por poucas centenas de metros de território palestino. Qalqilya fica num extremo da Cisjordânia, próxima a Israel. A retirada ocorreu apesar de um ataque a tiros neste domingo contra um ônibus, na disputada parte oriental de Jerusalém, que deixou dois adolescentes mortos, um deles um colono nascido nos Estados Unidos. O grupo militante Jihad Islâmica assumiu a responsabilidade pelo ataque. Israel fez uma incursão de tropas em áreas de seis cidades da Cisjordânia depois que militantes palestinos mataram o ultranacionalista ex-ministro do Turismo Rehavam Zeevi em 17 de outubro em represália ao assassinato por israelenses do líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina. Tropas israelenses permanecem em Jenin, Ramallah e Tulkarem. Segundo Raanan Gissin, conselheiro do primeiro-ministro Ariel Sharon, durante as incursões, 42 militantes armados foram mortos em confrontos com soldados israelenses e 15 outros foram assassinados em operações realizadas por forças especiais do Estado judeu. Ainda de acordo com Gissin, forças israelenses prenderam 85 supostos militantes palestinos. Os EUA têm exigido que Israel retire suas forças, preocupados com que a tensão no Oriente Médio possa interferir em seus esforços para manter o apoio de nações árabes moderadas à guerra no Afeganistão. Washington também tem exigido que o líder palestino Yasser Arafat reprima militantes. Motoniveladoras do Exército israelense, acompanhadas por tanques, também entraram brevemente nesta segunda numa área palestina na Faixa de Gaza, destruindo duas construções, disseram autoridades palestinas. Os tanques bombardearam a cidade e fizeram disparos com metralhadoras pesadas, ferindo duas pessoas, segundo testemunhas. O Exército de Israel negou ter feito disparos e afirmou que a área, nas proximidades de Rafah, está sob controle israelense. As tropas destruíram construções para expor um túnel que estava sendo usado para contrabandear armas do Egito para a Faixa de Gaza e não responderam quando foram atacadas a tiros, disse um porta-voz militar. Segundo Gissin, Israel pretende retirar-se de todas as áreas da Cisjordânia, desde que os palestinos assumam a segurança nos locais e evitem ataques contra israelenses. "Queremos chegar a isso o mais rápido possível", disse Gissin. "O objetivo continua o mesmo: conseguir o fim total da violência." Ele afirmou que a explosão da bomba no assentamento judeu de Shaked, Cisjordânia, iria adiar a retirada de Jenin, cerca de 15 quilômetros a leste. A Jihad Islâmica assumiu responsabilidade pela bomba que explodiu na lanchonete de uma fábrica da zona industrial da colônia, ferindo três pessoas. Gissin disse que Sharon quer permanecer em Israel para supervisionar a retirada das tropas, mas estava pretendendo viajar para os Estados Unidos no fim do mês. Sharon havia cancelado, no sábado, planos de viagens para Grã-Bretanha e Estados Unidos que deveriam começar nesta semana, alegando que a situação de segurança exigia que ele permanecesse em Israel.

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