Israel tem supremacia militar, mas arsenal palestino ameaça

Analista da BBC compara poder de fogo dos dois lados, e afirma que combates atuais resultariam, no melhor dos cenários, em um frágil cessar-fogo.

Jonathan Marcus, BBC

15 de novembro de 2012 | 16h57

A eclosão de combates entre Israel e o Hamas chama atenção, mais uma vez, para a total disparidade de forças entre os dois lados.

Aeronaves e unidades navais israelenses podem operar contra alvos na Faixa de Gaza quase que à vontade.

Se Israel ordenasse uma grande ofensiva terrestre - opção que provavelmente ambos os lados gostariam de evitar - o equilíbrio militar, mais uma vez, estaria enormemente a favor de Israel.

O combate ressalta também, entretanto, o grande risco que representa o arsenal de mísseis palestinos a cidadãos israelenses vivendo na parte Sul do país.

Foguetes palestinos podem não ser particularmente sofisticados ou precisos. No entanto, não deixam de ser uma ameaça grave, como demonstrou o ataque certeiro a um prédio em Kiryat Malachi na manhã de quinta-feira, que deixou três mortos.

Cidades e vilarejos israelenses no amplo arco ao sul de Tel Aviv estão potencialmente no alcance desses foguetes. Centenas de milhares de israelenses vivem à sua sombra, e essa é uma situação com que vários governos israelenses tiveram que lidar.

O arsenal de foguetes palestinos é grande, e está aumentando gradativamente com o tempo.

Muitos dos sistemas de mísseis de curto-alcance, como o Qassam - nome genérico para uma família de armamentos - são construídos em fábricas e oficinas na própria Faixa de Gaza. Eles têm alcance que chega a uma dúzia de quilômetros.

Mísseis de "ataque cirúrgico" conhecidos como Grad - acredita-se que muitos deles fornecidos pelo Irã - têm alcance um pouco maior (cerca de 20 quilômetros), apesar de algumas versões turbinadas terem um alcance consideravelmente maior.

Tel Aviv em risco

Há um tipo de foguete desenhado na China, o WS-1E, que também foi usado contra alvos israelenses - e estes têm alcance de 40 quilômetros.

As armas mais poderosas do arsenal palestino são os foguetes Fajr-5. Eles têm alcance de até 75 quilômetros, ameaçando as fronteiras de Tel Aviv - maior cidade de Israel.

Depósitos para este tipo de armamento estão entre alvos específicos da Força Aérea isralense.

Porta-vozes militares de Israel dizem ter sido tremendamente bem sucedidos na sua destruição, apesar de relatos de que ao menos um Fajr-5 tenha sido disparado na última rodada de combates.

A resposta de Israel à ameaça dos mísseis foi tanto defensiva quando ofensiva em sua natureza. O relativamente novo sistema de defesa antimísseis israelense - chamado de Domo de Ferro - está sendo pesadamente usado no conflito atual. O sistema está em operação desde 2011.

Cada uma das quatro baterias antimísseis disponíveis pode defender uma área do tamanho de uma cidade de porte médio.

Radares poderosos identificam e rastreiam mísseis disparados - seu ponto de aterrissagem é estimado e a bateria então dispara mísseis interceptores contra os que se dirigiriam a áreas povoadas.

O Domo de Ferro parece estar funcionando bem nesta crise, mas não há sistema de defesa 100% seguro.

Centenas de milhares de israelenses vivem em áreas ao alcance destes foguetes.

Israel também tenta interceptar carregamentos de mísseis a caminho da Faixa de Gaza. Isso acontece particularmente no caso de foguetes de longo alcance chineses e iranianos, alguns dos quais, segundo analistas, chegam através de uma rede intrincada de contrabando do Irã, do Sudão e então por terra através do Egito e da Península do Sinai até a Faixa de Gaza.

A "ataque aéreo misterioso" contra um carregamento de navios perto de uma fábrica de armas administrada por iranianos no Sudão, em outubro passado, é visto como obra da Força Aérea de Israel - em uma tentativa de interromper o fornecimento de armas para o Hamas e outros grupos palestinos.

Cessar-fogo?

Ataques aéreos regulares à Faixa de Gaza tiveram como alvo líderes individuais de facções palestinas menores, assim como grupos que se preparavam para lançar foguetes.

Mas essa é a maior operação israelense desde a invasão por terra ao norte da Faixa de Gaza em 2008-2009.

Inevitavelmente, e apesar do discurso de porta-vozes israelenses sobre "ataques cirúrgicos", civis palestinos foram mortos.

Mortes de civis, é claro, podem aumentar imensamente se os israelenses optarem por uma ofensiva terrestre. Todas as pressões apontam na direção de uma escalada da luta, antes de seu arrefecimento.

O resultado pode ser outro cessar-fogo frágil, que talvez dure por algum tempo.

Isso é claramente o que os israelenses querem como resul0tado. Mas os dilemas básicos na Faixa de Gaza continuam os mesmos.

Não há sinal de qualquer processo de paz digno de crédito.

E uma vez que essa crise chegue ao fim, o relógio pode começar a marcar a contagem regressiva para a próxima eclosão de violência. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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