Israel teme 'nova intifada' após morte de palestino

O ministro israelense de Segurança Doméstica, Avi Dichter, disse ontem temer que uma onda de protestos palestinos violentos na Cisjordânia se transforme em uma nova intifada. As manifestações são uma reação à morte de um palestino em uma prisão israelense, no sábado, e a uma greve de fome realizada por vários outros prisioneiros.

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2013 | 02h07

Manifestantes têm atirado pedras contra soldados israelenses nos últimos dias em diversos pontos da Cisjordânia. "As duas intifadas anteriores tiveram como resultado um elevado número de mortes", disse o ministro. "As vítimas são uma receita quase comprovada para uma maior escalada de violência."

Soldados israelenses compareceram ontem em grande número ao funeral de Arafat Jaradat, de 30 anos, que tinha sido preso havia apenas uma semana por apedrejar carros israelenses na Cisjordânia.

Autoridades palestinas dizem que ele morreu após ser torturado. Israel afirmou que uma autopsia, realizada na presença de um legista palestino, foi inconclusiva, e as lesões, como costelas quebradas, podem ter sido causadas durante os esforços de ressuscitação do homem.

A frustração palestina tem sido alimentada pela expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, pela paralisação do processo de paz desde 2010, e pela persistente divisão entre a Autoridade Palestina e o Hamas, que governa a Faixa de Gaza.

"Não temos escolha senão continuar a resistência popular e ampliá-la diante da ocupação, seja pelo Exército ou pelos colonos", disse à Reuters Mahmoud Aloul, dirigente da Fatah, facção do presidente Mahmoud Abbas, cujo poder está restrito à Cisjordânia.

Dichter disse que Israel precisa ter cuidado ao lidar com os protestos, e acusou os palestinos de se fazer de vítimas antes da chegada à região do presidente dos EUA, Barack Obama, no mês que vem. "Não acho que a Autoridade Palestina tenha a ganhar com uma intifada, assim como não conseguiu nada com a primeira e segunda intifadas", disse ele. "Mas eu diria que, após se portarem com pensamentos fracos e deturpados ao longo dos anos, eles nem sempre reconhecem o que é do seu interesse." / REUTERS

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