Amir Cohen / Reuters
Amir Cohen / Reuters

Israel teme reflexo de um ataque dos EUA ao Irã

Analistas e ex-oficiais de inteligência acreditam que objetivo de Binyamin Netanyahu seja apenas pressionar Teerã por um acordo nuclear mais restritivo

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 22h03

JERUSALÉM - Embora o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, tenha levantado em fevereiro a ideia de uma conflito com Teerã, analistas e ex-oficiais israelenses afirmam que o governo não quer uma guerra completa entre EUA e Irã. O temor é de que o conflito mergulhe Israel em uma conflagração destrutiva com o aliado iraniano no Líbano, o Hezbollah

A pressão sobre o Irã, segundo analistas, seria para forçar Teerã a concordar com um acordo nuclear mais restritivo ou criar condições para enfurecer os iranianos e levá-los a derrubar seu próprio governo. 

“Ninguém pensa na possibilidade de mudar o regime militarmente, mas enfraquecê-lo, e fazer com que a população troque o regime”, disse Amos Yadlin, ex-chefe da inteligência militar de Israel, que dirige o Instituto de Estudos de Segurança Nacional, em Tel-Aviv. 

Israel tem desempenhado silenciosamente um papel importante na recente escalada, fornecendo dados de inteligência. Em reuniões em Washington e Tel-Aviv, nas últimas semanas, oficiais israelenses alertaram os EUA de que o Irã e seus aliados planejam atacar alvos americanos no Iraque. Israel também passou esse aviso à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes, aliados americanos e inimigos do Irã.

O governo de Donald Trump respondeu às ameaças movendo um porta-aviões, bombardeiros B-52, um sistema de defesa antimíssil Patriot para o Golfo Pérsico e renovando os planos de guerra contra o Irã. 

Netanyahu quase levou Israel à guerra em 2010, quando pensou em lançar um ataque contra instalações nucleares do Irã. Mesmo antes do acordo nuclear, Netanyahu vinha insistindo em uma pressão tática mais forte contra Teerã. Para ele, o pacto assinado em 2015 foi muito condescendente. Ele tem trabalhado com Trump para endurecer as sanções e forçar Irã a voltar à mesa de negociação. 

Se o regime iraniano acreditar que sua sobrevivência está ameaçada, é provável que tentará arrastar Israel para a briga. 

Israel poderia ainda sofrer um ataque da Síria ou do oeste do Iraque, onde Irã afirma ter mísseis capazes de alcançar Israel. O ministro de Energia, Yuval Steinitz, garante que o Irã também poderia lançar mísseis contra Israel de seu próprio território.

Nenhum ataque iraniano é mais assustador para Israel do que se Teerã decidir liberar o arsenal do Hezbollah, grupo apoiado pelos iranianos que domina a maior parte do Líbano. Israel diz que o Hezbollah tem 130 mil foguetes, muito mais do que o necessário para sobrecarregar seu sistema de defesa. / NYT 

 

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