Brendan Smialowski/AFP
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Israel teria espionado celulares perto da Casa Branca

Segundo reportagem do site 'Politico', governo israelense teria instalado 'scanners' para interceptar comunicações de celulares na área ao redor da Casa Branca em 2017; Israel nega

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 16h44

WASHINGTON - Israel instalou scanners para interceptar comunicações de telefones celulares na área ao redor da Casa Branca em Washington – revelou uma matéria do site americano Politico, contestada pelo governo israelense.

O Politico informou que funcionários americanos acreditam que os israelenses instalaram vários scanners, imitando torres de telefonia celular, para interceptar chamadas e mensagens de texto em aparelhos próximos. Esses scanners foram descobertos no centro de Washington em 2017.

Vários ex-funcionários de segurança nacional disseram ao site que a análise feita pelo FBI e por outras agências relaciona os dispositivos a agentes israelenses.

"Os dispositivos tinham, provavelmente, o objetivo de espionar o presidente Donald Trump', disse um dos ex-funcionários, assim como seus principais ajudantes e colaboradores mais próximos, embora não esteja claro se os esforços israelenses foram bem-sucedidos", escreveu o Politico.

Um dos aliados mais próximos dos Estados Unidos, Israel negou as informações. "Israel não faz nenhuma missão de espionagem nos Estados Unidos", afirmou o ministro das Relações Exteriores e de Inteligência, Israel Katz. 

De acordo com o Politico, diferentemente de outras ocasiões com incidentes parecidos envolvendo espionagem estrangeira em território americano, a administração Trump não sinalizou nenhum tipo de consequência ao governo israelense. 

A reportagem, citando fontes da inteligência e de segurança nacional, afirma que após uma análise forense detalhada, o FBI e outras agências que trabalharam no caso disseram estar confiantes de que agentes israelenses instalaram os scanners. Nem a administração Trump, o FBI ou o serviço secreto quiseram comentar a informação. 

Depois que a história foi publicada, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, negou que Israel estivesse por trás do esquema. "Nós temos uma diretiva, eu tenho uma diretiva: nenhum trabalho de inteligência nos Estados Unidos, nenhum espião", disse ele a jornalistas. "E isso é implementado vigorosamente, sem nenhuma exceção. Isso (reportagem) é totalmente frabricada, completamente fabricada." 

Mas agentes do governo americano com profundo conhecimento de questões de inteligência não acreditaram na argumentação israelense - uma negativa padrão israelense também deve ser apresentada em privado a céticos funcionários americanos. 

Protocolos de segurança

Trump tem reputação de não ser muito cuidadoso com os protocolos de segurança da Casa Branca. Segundo reportagem do Politico de maio do ano passado, o presidente usou com frequência um celular com segurança insuficiente para se comunicar com amigos e confidentes. Em outubro do mesmo ano, o New York Times publicou uma reportagem que afirma que espiões chineses ouviram com frequências a chamadas de celular de Trump. O presidente criticou a reportagem dizendo que ela era "tão incorreta que ele não tinha tempo para corrigi-la" (uma fonte de seu governo afirmou que seu celular passou depois por um novo reforço contra intrusos). 

Na época, como parte de testes do governo federal, funcionários do Departamento de Segurança Interna já tinham descobertos evidências de equipamento de vigilância espalhados pela capital americana, mas não tinham condições de atribuir o equipamento a nenhuma entidade ou governo específico, de acordo com o Politico

Os funcionários compartilharam as informações recolhidas na época com várias agências federais, de acordo com uma carta enviada pelo alto funcionário do Departamento de Segurança Interna, Christopher Krebs, ao senador democrata Ron Wyden. / COM AFP 

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