Israel teria realizado treinamentos para expulsar Arafat

O Exército de Israel realizou treinamentos para estudar formas de expulsar o líder palestino Yasser Arafat e comandos chegaram até mesmo a fazer uma missão de reconhecimento no local do eventual exílio - uma área deserta fora do país -, disse nesta quinta-feira o jornal Maariv. Arafat seria retirado de seu quartel-general em Ramallah, na Cisjordânia, e levado de helicóptero a um local "onde não há cidade nem população nos arredores", publicou o jornal, acrescentando que a operação está pronta para ser realizada imediatamente após ordenada.Alguns porta-vozes militares informaram ao Maariv que, após a recusa da União Européia (UE), o Estado judeu está em busca de um local mais distante, situado no Mar Mediterrâneo, que possa aceitar o líder palestino como exilado. O jornal não mencionou o nome do lugar, mas a TV israelense informou recentemente que o Exército escolheu o deserto líbio como destino de Arafat.Israel já excluiu a Jordânia como local do exílio de Arafat devido "à súplica" do governo do país vizinho para não se ver diretamente envolvido no conflito palestino-israelense, escreveu o jornal. O Líbano também foi descartado pelos militares israelenses em virtude da presença de grupos extremistas contrários a Israel e da sempre tensa situação na fronteira entre os dois países.Também nesta quinta-feira, fontes ligadas ao governo israelense confirmaram pela primeira vez que o Exército já treinou formas de expulsar Arafat para algum país vizinho. Israel crê que tal ação seja capaz de encorajar o surgimento de um novo líder, mas críticos alertam que o exílio de Arafat causaria apenas mais violência, entregaria o poder na mão de extremistas, causaria o caos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e isolaria diplomaticamente o Estado judeu.PromessasO primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, prometeu não ferir Arafat. Por sua vez, o líder palestino prometeu resistir a qualquer tentativa de deportação, mesmo que isto resulte em sua morte. De acordo com o Maariv,, no entanto, Sharon estava decidido a expulsar Arafat após um atentado suicida perpetrado contra Tel Aviv em 19 de setembro. O plano foi elaborado pelo Exército a pedido do premier.Oficiais de segurança do alto escalão alertaram o primeiro-ministro israelense contra tal medida e, em vez disso, o Exército do Estado judeu estabeleceu um duro cerco ao QG do líder palestino em Ramallah, mas o encerrou alguns dias depois devido à intensa pressão norte-americana. O embaixador de Israel nos Estados Unidos, Danny Ayalon, disse que Arafat está numa "ladeira escorregadia", apesar de seu momentâneo aumento de popularidade devido ao cerco israelense contra o complexo governamental palestino. Segundo Ayalon, os palestinos "estão, pela primeira vez, reavaliando seus líderes e exigindo prestação de contas".Porém, críticos do cerco reclamam que a medida apenas ajudou a fortalecer a imagem de Arafat. Em atos de violência ocorridos nesta quinta-feira, um comerciante palestino foi assassinado em Jenin por soldados israelenses que impunham um toque de recolher na cidade. Em Gaza, soldados demoliram a casa de um suposto militante palestino acusado de perpetrar um ataque a tiros contra um assentamento judaico há alguns meses.

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