Israel termina em Gaza operação considerada um fracasso

Israel retirou as tropas de áreas palestinas na Faixa de Gaza menos de 24 horas depois de tê-las capturado. Críticos afirmaram hoje que a maior operação militar em Gaza em meses - visando prender militantes islâmicos e desmantelar fábricas de mísseis - foi um fracasso.A incursão de Israel em Gaza terminou na noite de quarta-feira com os últimos tanques se retirando da cidade de Beit Hanoun, uma das três áreas invadidas na operação. Cinco palestinos foram mortos em trocas de tiros.Israel lançou a operação em resposta a disparos de mísseis Qassam-2 - de produção caseira com um alcance de cinco a oito quilômetros - pelo grupo militante islâmico Hamas. Os mísseis caíram em campo aberto no sul de Israel e não causaram danos.Comentaristas militares israelenses foram unânimes em criticar a lentidão da operação, dizendo que os ativistas do Hamas envolvidos no lançamento dos mísseis fugiram muitas antes de as tropas israelenses entrarem no norte de Gaza.O Exército israelense informou que havia prendido 18 supostos militantes, mas fontes militares, que pediram para não ser identificadas, admitiram hoje que apenas dois ainda permaneciam em custódia. "Essas operações não irão parar os disparos (de mísseis)", disse à Rádio de Israel o comentarista Ron Ben-Ishai.Ele acrescentou que líderes israelenses exageraram a ameaça apresentada pelos mísseis a Israel. "O Qassam e os morteiros não são armas do juízo final", afirmou.O ministro da Defesa Binyamin Ben-Eliezer disse num comunicado que a operação atingiu seus objetivos, mas não respondeu às críticas. Ben-Eliezer afirmou que Israel pode criar "zonas de segurança" em território palestino para ficar fora do alcance dos mísseis.Oficiais de segurança palestinos disseram que 24 palestinos foram presos na incursão, a maioria parentes de membros do Hamas e da Jihad Islâmica. Entre os detidos estariam dois filhos, de 15 e 18 anos, de Atef Adwan, um alto integrante do Hamas e palestrista universitário que escapou das forças israeleses.Também hoje, um jornal israelense publicou o que seria os registros da União Européia das últimas conversações de paz israelense-palestinas, mostrando que os dois lados haviam concordado em dividir Jerusalém e estabelecer como fronteira entre um Estado palestino e Israel a linha israelense anterior à Guerra dos Seis Dias, de 1967.As conversações foram suspensas pelo então primeiro-ministro israelense Ehud Barak em janeiro de 2001, duas semanas antes de ser derrotado nas eleições pelo linha-dura Ariel Sharon.

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