Eric Garst/AP
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Israel testa versão naval de seu escudo

País quer ser o maior fornecedor de gás natural da Europa e está testando há dois meses a Cúpula de Ferro, de defesa antiaérea, capaz de interceptar em voo mísseis, foguetes e projéteis de artilharia

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2016 | 20h00

Israel está testando há dois meses a versão naval da Cúpula de Ferro, o Iron Dome, de defesa antiaérea, capaz de interceptar em voo mísseis, foguetes e projéteis de artilharia. Apenas um dos ensaios foi apresentado formalmente pelo Ministério da Defesa em maio. Segundo o coronel Ariel Shir, chefe do programa de desenvolvimento de sistemas de combate da Marinha, “o sistema atende às necessidades de segurança de nossos recursos energéticos na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) oceânica”. Shir não forneceu detalhes da operação de fogo real. 

O país quer ser o maior fornecedor de gás natural da Europa e tem mercadoria para levar à mesa de negociações: uma gigantesca província marítima, Leviatã, formada por um complexo de oito ou talvez mais que isso, grandes campos localizados a confortável meia distância do litoral. O maior deles, Tanin, descoberto em maio de 2013, contém 1,2 trilhão de pés cúbicos de hidrocarboneto. Fica no leste do Mediterrâneo e é um problema.

O governo israelense teme que as plataformas de prospecção, extração e processamento se transformem em alvos prioritários de inimigos diversos – insurgentes palestinos e terroristas islâmicos, principalmente. Não é uma questão limitada apenas aos interesses israelenses. Vários depósitos implicam negociações com países da região como Egito, Jordânia, Grécia e Chipre. Em certos casos trata-se de definir parcerias na construção de um gasoduto.

As Forças de Defesa querem levar a eficiência apresentada em terra também para o meio naval. Além da presença de uma pequena frota de controle de área, Israel desenvolveu a versão embarcada de um de seus mais significativos sistemas de defesa antiaérea, criado por volta de 2010 para barrar os ataques aéreos palestinos disparados a partir de Gaza. A Cúpula de Aço foi instalada em uma corveta Sa’ar-5, de 1.750 toneladas, poderosamente armada com mísseis superfície-ar Barak e antinavio Harpoon, além de canhões de tiro rápido e torpedos pesados. Um novo radar Adir foi adotado. 

Custo. O dispositivo é uma resposta de custo relativamente baixo à ação das armas cada vez mais efetivas do arsenal palestino – mais sofisticadas, chegam aos objetivos pretendidos, depois de anos de desempenho errático. O escudo funciona bem. O Hamas, por exemplo, utiliza o foguete livre (sem guiagem eletrônica) Fajr-5, produzido em sucessivas gerações no Irã há cerca de 20 anos. O alcance da última versão é da ordem de 75 a 80 quilômetros – pode atingir Tel-Aviv com ogivas de 175 quilos. O efeito é devastador.

A Cúpula de Ferro é a primeira linha de interceptação. Usa mísseis Tamir. Cada um sai por US$ 40 mil – e uma bateria do sistema dispara 60 deles. Preço baixo, se considerada a alternativa, os Arrow-2/3, muito mais avançados, cotados a US$ 3 milhões a peça e destinados a eventuais mísseis pesados, de longo alcance. 

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