''Israel tinha aceitado deixar o Golan''

Sr. Bashar Assad, a Síria esteve perto de um acordo com Israel em 2008?

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Em 2008, estávamos muito, muito, muito perto. Faltavam apenas alguns detalhes. Ehud Olmert (então premiê de Israel) estava na Turquia e (Recep Tayyip) Erdogan conversava comigo ao telefone. Enquanto Olmert ficava na outra sala, Erdogan, eu e seus ministros passamos horas discutindo o assunto. Olmert disse a Erdogan que voltaria a Israel para apresentar o plano a seus ministros e nos daria uma resposta nos dias seguintes. Mas, em seguida, atacou Gaza e isso foi uma surpresa tanto para a Síria quanto para a Turquia.

Então Israel concordou em sair de parte das Colinas do Golan?

Concordou em sair de todo o Golan, não de apenas uma parte.

Israel pediu à Síria que rompesse os laços com o Hamas, Hezbollah e Irã nas negociações mediadas pelos turcos?

Não, eles não pediram. Mas eles falaram disso com outros (países). Nós não queríamos discutir esta ou aquela organização. O problema é a ocupação. Enquanto não houver a retirada das terras ocupadas, não há como discutir outros assuntos. Portanto, se os israelenses estivessem falando sério, trabalhariam para uma paz que incluísse a retirada dos territórios. Quando fizerem isso, não terão mais nenhum problema na região. Por que ter organizações lutando contra os israelenses se Israel não estiver ocupando suas terras?

é mencionada internacionalmente?

Até mesmo na Síria não falamos tanto do Golan. Falamos da Palestina mais do que do Golan porque o problema começou com a ocupação da Palestina. A ocupação do Golan e dos territórios no Líbano vieram depois. Achamos importante resolver o problema palestino para solucionar as questões do Golan e do Líbano. Além disso, na Palestina, todo um país é ocupado, na totalidade de seu território.

Como o sr. vê o novo governo israelense? É mais complicado negociar com ele do que com o Olmert ou Yitzhak Rabin (premiê israelense assassinado em 1995)?

Não dá para avaliar o governo sem avaliar a sociedade israelense. Esta mudança na direção da direita e do extremismo começou algumas décadas atrás. Rabin pagou com a vida o preço de ter ido na direção da paz. Portanto, o extremismo está presente na sociedade. Foi a população israelense que assassinou Rabin, não o governo. Depois de Rabin, tivemos muitos governos e nenhum deles trabalhou pela paz. Eles apenas falam de paz. Para nós, na Síria, não há grande diferença entre esses governos.

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