Israel vai demolir casas de homens que atacaram sinagoga

A polícia de Israel entregou avisos de demolição para as famílias de quatro palestinos que realizaram ataques em Jerusalém Oriental, dentre eles dois homens que mataram cinco pessoas no ataque a uma sinagoga no início desta semana, segundo parentes e autoridades palestinas.

Estadão Conteúdo

20 de novembro de 2014 | 13h57

As ordens foram emitidas após a promessa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de intensificar a demolição de casas como medida punitiva contra a onda de ataques palestinos contra israelenses no último mês. A política atraiu fortes críticas no passado e foi usada poucas vezes nos últimos anos, mas autoridades decidiram retomar a prática na expectativa de impedir novos ataques.

Said Abu Jamal, primo dos dois homens que atacaram a sinagoga, disse que a polícia convocou as famílias e emitiu as ordens de demolição.

Dois primos palestinos de Jerusalém Oriental - Ghassan e Oday Abu Jamal - invadiram uma movimentada sinagoga na manhã de terça-feira, mataram quatro fiéis e um policial druzo com cutelos e uma arma de fogo, antes de serem mortos a tiros. Foi o ataque mais violento na cidade desde 2008.

As famílias de outros dois palestinos que participaram de ações de ataque, Ibrahim al-Akari e Moataz Hijazi, já haviam recebido avisos de demolição nesta quinta-feira, segundo Adnan Husseini, ministro da Autoridade Palestina para assuntos ligados a Jerusalém. Um porta-voz da polícia de Israel disse que estava verificando a informação.

Al-Akari foi morto a tiros por forças de segurança após ter matado dois israelenses no início deste mês, ao jogar seu carro contra uma estação de veículo leve sobre trilhos (VLT) em Jerusalém. A polícia também matou Hijazi em outubro, depois de ele ter atirado e ferido gravemente um ativista israelense que lutava por um maior acesso dos judeus a uma local sagrado, onde judeus não costumam frequentar.

Na quarta-feira, Israel demoliu a casa de outro homem palestino que jogou seu carro contra uma estação de trem no mês passado, matando duas pessoas antes de ser morto a tiros pela polícia.

Netanyahu pediu ações mais duras em meio a uma onda de ataques que deixou onze mortos em cinco incidentes nas últimas semanas, a maioria de Jerusalém. Mas as ações também foram realizadas em Tel-Aviv e na Cisjordânia. Pelo menos cinco palestinos envolvidos nos ataques foram mortos.

A violência, que atingiu um novo ponto de inflexão com o ataque à sinagoga, tem como pano de fundo as crescentes tensões sobre o acesso ao local mais sagrado de Jerusalém, conhecido pelos judeus como Monte do Templo e como Nobre Santuário pelos muçulmanos. Os palestinos temem que Israel queira permitir que judeus orem no local, interrompendo o status quo estabelecido desde que Israel tomou a área, na guerra de 1967. Fonte: Associated Press.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.