Israel viola trégua e ataca refugiados em Gaza, dizem palestinos

Autoridades médicas acusam Exército de Israel de matar uma criança e ferir 29 pessoas, pouco depois de cessar-fogo humanitário 

Lourival Sant’Anna, enviado especial / Gaza, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2014 | 08h11

(Atualizada às 16h10) GAZA - Uma trégua de 7 horas declarada unilateralmente por Israel, sem a adesão do Hamas, terminou às 17 horas (11 horas pelo horário de Brasília) desta segunda-feira, 4, com troca de acusações de ataques dos dois lados e dois atentados em Jerusalém. O objetivo da trégua era permitir a distribuição de ajuda humanitária e o retorno de famílias desabrigadas a suas casas para verificar o que restou e recuperar pertences.

O repórter do Estado viajou para Khan Yunis, 32 km ao sul de Gaza, e constatou uma redução da presença israelense na região, a mais afetada pelos bombardeios. Depois das 17 horas, os disparos de mísseis e artilharia retomaram a intensidade habitual em Gaza.

Os palestinos acusaram Israel de bombardear um campo de refugiados em Gaza, matando uma menina de oito anos e ferindo 29 pessoas. Segundo eles, o ataque aéreo teria ocorrido depois das 10 horas, horário anunciado para o início da trégua.

Uma porta-voz militar israelense, citada pela agência Reuters, garantiu que não houve ataques das 10 horas às 17 horas, mas afirmou que quatro foguetes foram disparados da Faixa de Gaza e dois caíram em Israel. Não há informações de feridos.

Em Jerusalém, segundo as agências de notícias, um palestino que dirigia uma retro-escavadora atropelou um israelense e virou um ônibus, antes de ser morto pela polícia, que qualificou o caso como atentado terrorista. Não havia passageiros no ônibus.

Horas mais tarde, um homem feriu a tiros um soldado israelense perto da Universidade Hebraica em Jerusalém, fugindo em seguida em uma motocicleta, segundo a polícia.

Apesar da visível redução da presença de tropas terrestres israelenses na Faixa de Gaza, a operação de destruição de túneis continua, motivo pelo qual a cidade de Rafah, 36 km ao sul de Gaza, na fronteira com Israel, ficou de fora da trégua.

"A campanha na Faixa de Gaza continua", afirmou o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em nota. "O que está prestes a terminar é a ação nos túneis, mas a operação acabará depois que um prolongado período de calma e segurança for restaurado para os cidadãos israelenses". Depois da destruição dos túneis, continuará havendo soldados israelenses dos dois lados da fronteira, advertiu o governo.

O número de palestinos mortos na ofensiva iniciada dia 8 chegou a 1.831, a maioria civis. Do lado israelense, foram 64 soldados e 3 civis mortos até agora.

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