Israel violou lei internacional no Líbano, diz emissária da ONU

Uma emissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para as crianças e conflitos armados disse nesta quinta-feira, 12, que ações de Israel durante a guerra contra o grupo militante xiita Hezbollah, em 2006, violaram a lei internacional.A emissária, Radhika Coomaraswamy afirmou que ficou horrorizada pela destruição causada em um vilarejo libanês por tropas israelenses e declarou que as causas da bomba cacho, que foi utilizada nos ataques, são os motivos da violação.As Nações Unidas e grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que Israel jogou 4 milhões de bombas de cacho no Líbano durante a guerra. Cerca de 1 milhão dessas bombas não explodiram e continuam em solo libanês. As bombas de cacho são bombas antipessoas, que espalham bombas menores chamadas bomblets em uma área maior. As bombas que não explodem no momento da queda ficam no solo como minas terrestres. Desde que a guerra no Líbano terminou em 14 de agosto do ano passado, as bombas de cacho mataram 29 pessoas e feriram outras 215 - 90 delas crianças."Eu acredito que a mensagem é muito clara - é preciso respeitar os civis" e distinguir entre civis e combatentes em uma guerra, disse Coomaraswamy, depois de uma visita de três dias ao Líbano. Ela se referia ao fato de Israel ter jogado milhões de bombas em cacho nos 34 dias de guerra e ao "uso desproporcional da força" que destruiu muito da infra-estrutura libanesa.Ela se disse "aterrorizada" pela destruição que viu no vilarejo libanês de Bint Jbeil, no sul do país, e o impacto "considerável que a guerra teve nas crianças." Tropas de Israel cercaram o vilarejo, que era uma das bases do Hezbollah."Muitas das ações tomadas na guerra libanesa parecem ter violado a lei humanitária internacional," disse Coomaraswamy, ao ser questionada se levantará a ação das tropas israelenses quando conversar com oficiais do Exército de Israel. Ela afirmou que pressionará Israel a entregar informações sobre a localização das bombas em cacho jogadas no sul do Líbano nos últimos dias da guerra. "Aparentemente, eles têm as informações no computador," ela disse.Em Jerusalém, o porta-voz do ministro do Exterior, Yariv Ovadia, não quis comentar como Israel responderá ao pedido de Coomaraswamy pelo pedido de mapas e informações onde foram jogadas as bombas em cacho. "Nós trabalharemos com o pedido quando ele chegar," disse. Questionado se Israel violou a lei internacional e agiu com força desproporcional, Ovadia respondeu: "sem comentários."Mais de 1,200 libaneses foram mortos na guerra. Israel teve 120 baixas fatais militares e 39 civis. A guerra começou quando o movimento islâmico Hezbollah seqüestrou dois soldados israelenses na fronteira entre Israel e Líbano. Israel lançou uma forte ofensiva militar contra a guerrilha xiita e um bombardeio sistemático ao sul do Líbano, para forçar a libertação dos soldados e punir o Líbano por dar abrigo às guerrilhas. Atualmente, 56 equipes formadas por militares limpadores de minas e explosivos de todo o mundo trabalham no sul do Líbano, ela informou.

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