Israel volta a atacar áreas palestinas

Helicópteros de combate israelenses voltaram a atacar hoje alvos palestinos, dando seqüência a uma onda de violência que deixou pelo menos 20 mortos em pouco mais de 24 horas. Os alvos do ataque foram uma sede da Autoridade Palestina (AP) em Jenin e quartéis da polícia da AP em Tulkarem, ambas na Cisjordânia. Segundo testemunhas, cerca de 20 pessoas - a maioria civis - ficaram feridas nos ataques realizados por quatro helicópteros Apache.O exército israelense informou que atacou "alvos terroristas", incluindo postos de comando das forças de segurança palestina. "O exército continuará combatendo o terrorismo palestino, de todas as formas e cada vez que assim considerar apropriado", afirmou o porta-voz do exército israelense. Também hoje, fontes de segurança e hospitalares palestinas informaram que um palestino morreu e outros sete ficaram feridos - um com gravidade -, em Nablus, num confronto entre soldados israelenses ocorrido depois dos funerais das vítimas do ataque aéreo de Israel. Segundo fontes palestinas, os soldados israelenses dispararam balas reais contra cerca de 700 jovens palestinos que atiravam pedras. Um dos manifestantes, Hamam Abdel Khak, de 24 anos, morreu no confronto.Na Faixa de Gaza, um agricultor palestino foi morto por soldados em Karni, disseram testemunhas palestinas. Em Ramallah, na Cisjordânia, pelo menos 12 palestinos ficaram feridos em um tiroteio com tropas israelenses depois do funeral de uma das vítimas do ataque aéreo de hoje. Ontem - um dos dias mais sangrentos dos conflitos que já duram oito meses -, Israel utilizou caças F-16 para bombardear Tulkarem, cidade de origem do terrorista palestino que, horas antes, perpetrara um ataque suicida em Netanya, ao norte de Tel-Aviv, que matou cinco israelenses.A autoria do atentado foi reivindicada pelo grupo fundamentalista muçulmano Hamas. A represália israelense deixou outros dez mortos. Desde o início da onda de violência na região em setembro do ano passado, já morreram 469 palestinos e 84 israelenses. Em Washington, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, condenou a escalada da violência e exigiu "um cessar da violência por completo". Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que se sentia "profundamente perturbado pela desproporção da resposta de Israel" ao atentado suicida. Em meio à escalada da violência, o ministro de Informação da AP, Yasser Abed-Rabbo, acusou diretamente os EUA de serem "os principais responsáveis pela agressão israelense" de ontem. Num comunicado divulgado em Ramallah, Abed-Rabbo assinalou que a ofensiva israelense não se teria produzido sem que Israel tivesse informado previamente a administração do presidente americano, George W. Bush. "Além disso, os EUA devem ser considerados responsáveis por seguirem administrando ajuda e um arsenal militar que os israelenses usam para atacar objetivos civis e de segurança palestinos", assinalou ele no comunicado.As declarações de Abed-Rabbo foram consideradas o ataque verbal mais violento dos palestinos contra Washington desde a instauração da AP, em 1994. A Embaixada dos EUA em Tel-Aviv não respondeu às acusações. Em Washington, Bush disse estar "muito preocupado" com a situação no Oriente Médio e exortou israelenses e palestinos a cessarem os ataques incondicionalmente e retomarem o diálogo de paz.

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