Israel volta a ocupar Ramallah e cerca QG de Arafat

Tanques e tropas israelenses, apoiados por helicópteros, voltaram a ocupar Ramallah na madrugada desta segunda-feira e cercaram o quartel-general do presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, que está no local. No domingo, tropas israelenses haviam entrado em Qalqiliya. Israel já estabelecera nos últimos dias o controle sobre Jenin, Tulkarem, Belém, Nablus e Betunia, como parte de sua nova política de permanecer nas áreas autônomas até que tenham fim os atentados suicidas. Na semana passada, 36 israelenses foram mortos por homens-bomba em Jerusalém e num ataque a tiros numa colônia judaica na Cisjordânia.O Exército israelense convocou 2 mil reservistas em caráter emergencial para fazer frente a sua nova operação de reocupação dos territórios autônomos palestinos na Cisjordânia. Um alto oficial, Amos Yaron, definiu a nova incursão como "esmagadora" e a Rádio Israel informou que o governo está considerando a possibilidade de deportar para a Faixa de Gaza famílias de atacantes suicidas da Cisjordânia.Em Tulkarem, o palestino Islam Erheel, de 20 anos, foi morto por um projétil de tanque quando se debruçava na sacada de sua casa. Outras oito pessoas foram feridas, incluindo um menino de 5 anos e um bebê de 6 meses que estavam na residência. Em Yamum, na Faixa de Gaza, um polícial palestino foi morto na ocupação de sua casa por forças israelenses.As tropas entraram no campo de refugiados de Aza, na área de Belém, e revistaram casa a casa. Houve incursões ainda nos vilarejos de Adik e Surda, ao norte de Ramallah. Em todas as localidades ocupadas várias pessoas foram presas. Na Faixa de Gaza, as forças de segurança palestinas prenderam dezenas de militantes do grupo islâmico Hamas, responsável pelo atentado que matou 19 pessoas em Jerusalém na semana passada, e puseram seu líder espiritual, xeque Ahmed Yassin, sob prisão domiciliar.Segundo fontes da emissora britânica BBC, o ministro da Defesa, Binyamin Ben-Eliezer, teria dito que a reocupação não deve ultapassar o período de seis meses e não há planos de assumir o controle administrativo. Mas Arafat acusa o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, de ter como meta destruir a administração autônoma. Para o ministro e negociador da AP Saeb Erekat, Israel "está retomando integralmente sua ocupação" de territórios entregues aos palestinos com base nos acordos interinos de paz de Oslo (1993) e pretende destruir a AP. "Estão cancelando aquilo com que tinham concordado de Oslo até hoje", disse Arafat.A escala da operação é muito menor do que a chamada Operação Muralha de Defesa, a ofensiva deslanchada por Israel em abril e maio - após uma onda de atentados suicidas - , mas desta vez Israel decidiu manter as tropas nas áreas tomadas "por tanto tempo quanto o terror durar".Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL ORIENTE MÉDIO

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