Israelense modera retórica anti-Irã

O número 1 das Forças Armadas de Israel, general Benny Gantz, afirmou ontem não acreditar que o Irã tenha decidido desenvolver armas nucleares. O chefe do Estado-Maior de Israel, que raramente expõe sua opinião em público, alertou: Teerã "segue passo a passo rumo a um estágio no qual terá a escolha de fazer ou não a bomba, mas ainda não decidiu avançar para além desse caminho".

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h01

"Se o líder supremo Ali Khamenei quiser, ele decidirá seguir rumo à aquisição de armas (nucleares) - mas essa escolha ainda deve ser feita", continuou o general em entrevista ao jornal Haaretz. "Ela virá se Khamenei julgar que (o Irã) é invulnerável a uma ação externa. (...) Não acho que ele desejará seguir por esse caminho. Acredito que a liderança iraniana é composta por pessoas muito racionais."

A entrevista de Gantz foi concedida em meio às comemorações do 64.º aniversário de fundação de Israel. A análise coincide com as estimativas das agências de inteligência dos EUA e com o discurso oficial do presidente Barack Obama.

A linguagem do general israelense é bem menos dramática que a usada pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, conhecido pelas frequentes referências ao Holocausto ao descrever os riscos do programa nuclear iraniano. "Decisões devem ser tomadas com cautela, levando em conta responsabilidades históricas, mas sem histeria", disse Gantz.

Para o general israelense, uma bomba "nas mãos de fundamentalistas islâmicos" representa um cenário "extremamente perigoso". De um lado, um Irã nuclear daria maior liberdade de ação a grupos aliados de Teerã como os palestinos Hamas e Jihad Islâmica, além do libanês Hezbollah. De outro, essa capacidade representaria uma "ameaça existencial" ao Estado judeu. / AP

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