Israelenses acreditam ter vencido

Para especialista, aumento de ataques dias antes do cessar-fogo é esperado

, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Prestes a declarar uma trégua unilateral na Faixa de Gaza, israelenses consideram que, desta vez - diferentemente da ofensiva contra o Hezbollah, em 2006 - cumpriram as metas estabelecidas e conquistaram a vitória no conflito com o Hamas.   Linha do tempo dos ataques em Gaza Com o apoio da imensa maioria da população e apenas 13 baixas, Israel alcançou os objetivos de reduzir drasticamente a capacidade de agressão do grupo islâmico; destruir as bases e campos de treinamento do Hamas; asfixiar o suprimento de armamento da facção palestina pela fronteira de Gaza com o Egito; e, segundo o comando militar, "restabelecer sua capacidade de dissuasão", abalada desde a guerra de 2006.Se no dia 27, início da ofensiva, o número de foguetes do Hamas atirados contra o sul de Israel chegava a ultrapassar a cifra dos 80, nos últimos dias eles não passaram de 20. A já frágil infraestrutura em Gaza - militar e civil - foi definitivamente arrasada e centenas de militantes foram assassinados, entre eles o número 3 do grupo, chefe da polícia do Hamas, Said Siam, morto na quinta-feira. Israel ainda ocupou o chamado Corredor Filadélfia, entre o sul de Gaza e o Egito, impedindo o contrabando por túneis clandestinos. A garantia de que o Hamas não seria capaz de rearmar-se era o principal objetivo da guerra, ao lado da redução das agressões com foguetes.A dias de uma trégua, Israel intensificou os ataques por terra e ar, aumentando a pressão sobre as negociações diplomáticas. "Na história militar israelense há vários exemplos dessa estratégia. Isso aconteceu nos últimos momentos da Guerra do Yom Kippur, em 1973, em junho de 1982, na Guerra do Líbano e mesmo em 2006, contra o Hezbollah", afirmou em entrevista ao jornal Le Monde o historiador Pierre Razoux."De maneira realista, os estrategistas (israelenses) sabem que não serão capazes de erradicar o Hamas. Como já há um clima de exaustão da opinião pública israelense em relação à guerra, os pragmáticos dizem que chegou a hora de encerrá-la", afirma Razoux. "Americanos, europeus e árabes moderados esperam chegar a um cessar-fogo aceitável antes de o (presidente eleito Barack) Obama tome posse, no dia 20."No entanto, a imagem de Israel no mundo e o desgaste político que a ação provocou levantam questões sobre o triunfo estratégico no longo prazo. A ofensiva em Gaza matou uma média de 57 pessoas por dia - mais de 1.150 ao todo. Metade delas, segundo a ONU, é de civis, incluindo cerca de 350 crianças. O número de feridos chega a 5 mil.Israel ainda contrariou a resolução do Conselho de Segurança da ONU acordada no dia 9, que pedia uma trégua imediata, despertando críticas até mesmo entre países aliados.AFP

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