Israelenses contrários à ofensiva militar são perseguidos

Vários artistas e personalidades que criticam a ofensiva militar israelense nos territórios palestino estão sob "o dedo acusador", no que se teme seja o início de uma onda de "macarthismo" em Israel. Entre eles encontra-se Yaffa Yarkony, conhecida como "a cantora da guerra de Israel", em referência à guerra da independência de 1948. Agora, no entanto, com mais de 70 anos, Yarkony está na berlinda e um evento em sua homenagem foi cancelado recentemente dias depois que a intérprete declarou que apoiava os reservistas israelenses que, por motivo de consciência se recusam a servir nos territórios. Um de seus admiradores, o ex-primeiro-ministro Yitzhak Rabin, assassinado em 1995, chegou a dizer que seus olhos enchiam de lágrimas quando escuta a sua célebre canção "Ban el-Wad". Yarkoni afirmou, referindo-se aos palestinos: "Quando vi que os derrubavam, com as mãos para trás, todos tão jovens, disse a mim mesma: ?é o mesmo que fizeram contra nós no holocausto". Em um editorial publicado hoje pelo jornal Yediot Ahronot, o ex-secretário pessoal de Rabin, Eitan Haber, afirmou, referindo-se à cantora: "Seus absurdos são insultos". Mais longe foi o diretor do jornal Maariv, Amnon Dankner, segundo o qual "Yaffa Yarkoni se somou aos novos anti-semitas da Europa". Para ele, não é suficiente criticá-la e anular um evento em sua homenagem, "temos que boicotá-la". Ventos gelados também sopram contra o ex-ministro da Justiça Yossi Beilin (trabalhista), que é também um conhecido crítico da ofensiva militar israelense. Ontem, quando Beilin tentava entrar na Universidade de Beer Sheba para proferir uma conferência sobre o tema "Os judeus no século XXI", ele teve que se dirigir à porta dos fundos, por vários estudantes o esperavam com piquetes. O deputado Roman Ronfman, líder do pequeno grupo parlamentar "decisão Democrática", denunciou que em Israel foram plantadas as primeiras sementes do "macarthismo". "Chegamos à caça às bruxas", disse Ronfman, referindo-se à proposta de um deputado do Likud para que os serviço secretos persigam "jornalistas incômodos", ou seja, que criticam Israel. MacarthismoCharlie Chaplin é certamente o mais famoso artista perseguido pelo macarthismo. Surgiu nos Estados Unidos e foi idealizado pelo senador Joseph MacCarthy, em 1951, quando foram montadas comissões de investigação que acusavam de atividades anti-americanas pessoas ?suspeitas? de ligação com o comunismo. O principal alvo de movimento foi a área cultural.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.